Holocaustos: judeus sob ataques

Holocaustos - judeus sob ataquesHolocausto é o termo usado no Antigo Testamento para definir a oferta de sangue de animais a fim de aplacar a ira de Jeová. Mas, a partir da segunda guerra mundial, o termo passou a significar o extermínio de judeus pelos nazistas alemães, em campos de concentração situados em territórios dominados. Calcula-se que foram mortos seis milhões de judeus. A 27 de janeiro deste ano (2015) foi celebrado mundialmente o septuagésimo aniversário da libertação dos prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz na Polônia. Entre os líderes mundiais presentes, encontrava-se Joachim Gauck, presidente da Alemanha, que reconheceu, em discurso, a dívida histórica do seu país para com o povo judeu. Ao longo dos quatro mil anos da história judaica, a Bíblia relata muitas tentativas de extermínio dos judeus, ou de parte deles, algumas das quais analisaremos a seguir.

No Egito – A primeira ocorreu quando Faraó, rei do Egito, temendo o crescimento demográfico do povo de Deus, resolveu exterminá-lo. Expediu ordens às parteiras para matarem os bebês do sexo masculino; ao mesmo tempo os capatazes egípcios aumentariam a carga de trabalho dos escravos e reduziriam o fornecimento de matéria prima, impossibilitando o cumprimento das metas a atingir. Os açoites e torturas dariam cabo dos adultos, as parteiras matariam as crianças e assim sobrariam apenas as mulheres judias, que seriam facilmente absorvidas pela sociedade patriarcal egípcia, em duas ou três gerações. Todavia, diz a Bíblia que “As parteiras temeram a Deus e não fizeram como o rei do Egito lhes dissera; antes conservavam os meninos com vida. Portanto, Deus fez bem às parteiras. E o povo se aumentou e se fortaleceu muito” (Êxodo 1.17, 20).

Balaque – Após a milagrosa libertação, realizada por Deus através de Moisés, o deslocamento pelo deserto colocou Israel frente a frente com os ocupantes daquelas terras. Balaque, rei de Moabe, temeu grandemente a presença dos israelitas em suas fronteiras, porquanto todos tinham ouvido relatos das intervenções de Deus em favor dos israelitas. Balaque tenta contratar um vidente, Balaão (Números 22, 23, 24) para amaldiçoá-los, não obtendo sucesso, pois, a despeito de tratar- -se de um adivinho, Balaão temia o Deus de Israel e não conseguiu amaldiçoar o povo. De nada adiantaram as propinas oferecidas por Balaque. Balaão declarou aos seus emissários: “…ainda que Balaque me desse a sua casa cheia de prata e de ouro, eu não poderia traspassar o mandado do Senhor meu Deus.” Balaão estava enviando a Balaque a mensagem de que jamais proferiria uma maldição contra Israel.

Hamã – O rei Assuero dominava sobre a Pérsia, onde os judeus também estavam cativos, quando Hamã, um potentado persa de origem amalequita, povo inimigo dos judeus, resolveu se aproveitar da oportunidade para destruí-los. Planeja em detalhes o assassinato coletivo, em virtude do ódio que nele despertava um judeu chamado Mardoqueu (ou Mordecai), que se recusava a inclinar-se diante dele. Para enforcar este judeu, Hamã erigiu uma forca em sua própria casa. Marcou dia e hora para o assassinato coletivo, mas Deus interveio novamente. Desta feita preparou cuidadosamente uma rainha judia, promovendo o casamento de Ester com Assuero. A linda trama urdida por Deus em favor do Seu povo culmina com o enforcamento de Hamã na forca que erigira para Mardoqueu, tendo sido este elevado ao segundo posto em autoridade diante do rei. A festa hebraica do Purim celebra, até hoje, o grande livramento concedido ao povo.

Herodes – Na vã tentativa de impedir o crescimento de Jesus, Herodes mandou matar todas as crianças de dois anos para baixo, após receber as informações dos magos, que se haviam deslocado do oriente para adorar aquele que nascera “rei dos judeus” (Mateus 2.16). José e Maria, alertados por um anjo, fugiram para o Egito, onde permaneceram até a morte de Herodes. Daqui em diante vamos abordar tentativas recentes de retirar Israel do concerto das nações, status este conquistado a partir do ano de 1948.

Cisjordânia – Intifadas – A Cisjordânia tem 40 km de comprimento e 20 km de largura, delimitada a leste pelo rio Jordão e pelo Mar Morto; a oeste, norte e sul, pela chamada Linha Verde, estabelecida no Armistício árabe-israelense de 1949. Excetuando-se Jerusalém Oriental, a Cisjordânia não foi formalmente anexada por Israel. Por isso, segundo a lei internacional, não pertence a nenhum Estado, desde a renúncia de soberania por parte da Jordânia (que a anexara ilegalmente em 1948). Aguarda, pois, um estatuto definitivo, juntamente com a Faixa de Gaza. Dá-se o nome de Intifada às rebeliões ocorridas nesse território, com o propósito de questionar o direito de ocupação por parte de Israel. Muitos judeus e palestinos já morreram nas Intifadas. Nesta questão Israel discorda do Tribunal Internacional de Justiça, da Autoridade Palestina, e do Hamas que governam respectivamente a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, reservando-se o direito de ocupá-las.

AMIA – Causou profunda estranheza a recente e misteriosa morte do procurador judeu-argentino Alberto Nisman, que investigou durante mais de 10 anos um atentado terrorista à AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina) em julho de 1994. Foi o maior ataque aos judeus desde a segunda guerra mundial. Motivado pela suspensão de um acordo Argentina-Irã para transferência de tecnologia nuclear, o atentado matou 85 pessoas e feriu 300. Em 2006 a justiça argentina apontou o governo iraniano como planejador e o Hezbollah como executor do atentado. Tendo encontrado indícios de tentativas do governo argentino de abafar o caso e de inocentar agentes iranianos, Alberto Nisman decidiu levar o assunto ao Congresso. Morreu misteriosamente na véspera.

Charlie Hebdo e o shopping kosher – Nas manifestações contra o ataque terrorista ao jornal francês Charlie Hebdo em janeiro deste ano (2015), passou quase despercebido o protesto contra o sequestro e morte de quatro judeus franceses no shopping onde se vendiam dietas judaicas. Somente duas mil pessoas, na maioria judeus, compareceram. Um milhão e meio compareceram na véspera, em protesto contra o massacre do jornal. Parece que o antissemitismo e suas diversas facetas ainda não é assunto prioritário nas agendas de governos europeus.

O texto de Apocalipse 16.16 prediz a última tentativa de massacre a Israel. Será no Armagedon, ou Megido, quando as nações se reunirão para riscá-lo do mapa. O resultado desta batalha está lavrado pelo profeta Zacarias: Quando os inimigos atacarem, “… o Senhor ferirá a todos os povos que guerrearem contra Jerusalém: a sua carne será consumida, estando eles de pé, e lhes apodrecerão os olhos nas suas órbitas, e lhes apodrecerá a língua na sua boca” (Zacarias 14.12). Considerando-se o progresso das armas químicas, esse cenário apocalíptico parece compreensível. Oremos todos pela paz de Jerusalém.

Por, Paulo Ferreira.

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