Exemplos de fé e abnegação de pais seguidos pelos filhos

Relatos comoventes de filhos de pastores e missionários que, a despeito das dificuldades enfrentadas pelos genitores, entregam suas vidas também a Missões

Exemplos de fé e abnegação de pais seguidos pelos filhosAntigamente, os filhos costumavam dizer que exerceriam a mesma profissão do pai ou da mãe, isto porque os genitores eram considerados o parâmetro de moral para as crianças. Hoje é difícil escutar algo semelhante de uma criança, considerando a degeneração moral e familiar instigada pelo secularismo. Por sua vez, a Bíblia Sagrada revela diversos exemplos de pais que marcaram de forma positiva a formação do caráter dos filhos e lhes ensinou um ofício para que pudessem sobreviver. Por exemplo, os rabinos da época de Jesus exerciam uma atividade para assegurar a sua subsistência. O professor de Novo Testamento do Wheaton College, Gary M. Burge registrou em seu livro Jesus, O Contador de História do Oriente Médio (CPAD) que o Mestre recebia um salário como artífice (de madeira e pedra) e que a prática era comum, uma vez que os rabinos exerciam tais atividades. O apóstolo Paulo fabricava tendas (Atos 18.3). O pastor Elinaldo Renovato de Lima revela em seu livro A família cristã e os Ataques do Inimigo (CPAD) que a partir dos três anos de idade, os meninos aprendiam a Lei com o pai e os genitores também ficavam responsáveis por ensinar um ofício aos filhos. Um rabino disse certa vez que “o pai que não ensina ao filho um oficio últil está educando-o para ser ladrão”.¹

O tempo passou, novos costumes surgiram, e a cultura do bom exemplo perpetuado pelos genitores caiu em desuso na sociedade. Mas e entre os cristãos? Principalmente aqueles que atuam como pastores e missionários envolvidos com a divulgação do Evangelho? Sim, ainda é possível encontrar exemplos maravilhosos de pais que ensinaram a criança o caminho que deve andar (Provérbios 22.6).

Um desses exemplos é o do missionário Marcos Rodrigues Navarro, ligado à Assembleia de Deus em Ji Paraná (RO), liderada pelo pastor Sadraque Muniz. O seu filho Guilherme navarro decidiu ser missionário como o pai.

A chamada missionária do brasileiro foi revelada aos 11 anos, nessa época o jovem manifestava o desejo de trabalhar no campo missionário. Mais tarde, o futuro obreiro se deslocou para a Bolívia para estudar Medicina. Ele se estabeleceu em Cochabamba e cursou um ano de Medicina. Com o passar do tempo, o jovem percebeu as necessidades do povo boliviano, embora sempre convicto de sua vocação para ser médico; entrementes a esposa também sabia de sua chamada missionária para trabalhar no país andino. Com isso, a chama missionária de Marcos Navarro reacendeu. “Mas enfrentamos dificuldades e as principais foram a língua, a cultura e a alimentação diferenciada”, recorda o missionário. No início houve a interferência do padre na cidade de Sucre, mas em 15 anos de trabalho, o campo eclesiástico desenvolveu e hoje é formado por 600 fiéis espalhados em 12 congregações. O brasileiro fixou-se na cidade de Tarija, distante 900 km da capital, no extremo sul do país. Mas e o Guilherme? De que forma o menino absorveu esse intrincado universo de missões transculturais?

O bom exemplo foi observado pelo jovem que começou a sua lida no campo missionário junto com os pais de maneira singular: entregava folhetos evangelísticos. “Muita gente veio nos visitar devido a comoção provocada ao receber a literatura de uma criança”, lembra o pai. Mais tarde, Guilherme (possui dupla nacionalidade por ter nascido na Bolívia) manifestou o desejo de seguir os passos dos pais e ingressou no Seminário Teológico Pentecostal (Setep) na cidade de Cochabamba. Hoje o rapaz tem formação no médio em Teologia e missiologia e o seu desejo é fixar-se na Bolívia e continuar o trabalho do casal missionário.

Por sua vez, o pastor Daniel Nunes da Silva, nascido na cidade paranaense de Maria Helena, filho dos missionários Sebastião Nunes da Silva e Maria Soares, também engrossa as fileiras dos que seguiram os passos dos pais. Ele acompanhou os genitores quando foram trabalhar na Paraíba em 1982. Por essa época o futuro pastor era um adolescente de 18 anos. Mas o início não foi nada fácil para a família. “Tivemos que enfrentar as perseguições, os inimigos se armavam de pedras para atingir os crentes”, lembra pastor Daniel. Enfim, a hostilidade arrefeceu o ânimo do jovem que não queria enfrentar os mesmos problemas. O seu desejo era voltar ao Paraná e enviar recursos para ajudar a obra de Deus na Paraíba.

Mas após dizer ao Senhor que não podia suportar as hostilidades, às 2h da madrugada, o jovem observou no quarto escuro uma luz que o envolveu e ouviu a voz de Deus. Ele pensou que era o pai, mas o Senhor se revelou e disse que colocaria amor no seu coração e que Ele realizaria algo tão grande que muitos não acreditariam. No dia seguinte o rapaz amanheceu no evangelismo e passou a ser um missionário ao lado do pai. “Eu já não me importava com o sofrimento”, afirma. Com o passar do tempo, o líder pentecostal assumiu a liderança da Comead-CGADB no dia 10 de julho de 2011 em Campina Grande (PB); hoje ele exerce a função de 1º secretário da Umadene e integra o Conselho Consultivo da região nordeste da CGADB, incluindo o seu trabalho na Bolívia em 1996, onde permaneceu por seis anos.

A história do pastor Elson Carlos Vieira também é digna de nota. Nascido em Urussanga (SC) em 14 de maio de 1961, mudou-se para a cidade de Joinville em 1972. Ele casou-se com Solange dos Santos Vieira em dezembro de 1982, mas seus quatro filhos (dois nasceram na cidade de Joinville), o primogênito Elson Junior seria “fisgado” para a obra missionária.

O pastor Elson Vieira sabia desde a sua adolescência de sua vocação missionária, inclusive havia sonhado sobre a região onde mais tarde, anunciaria o Evangelho: ele estava dentro de uma caverna, carcada por pessoas, logo caiu neve e começou a ministrar a Palavra de Deus. Mais tarde foi designado para conduzir a igreja na cidade de Irati (oeste catarinense) entre os anos de 1994 e 1997. “Os habitante de Irati (com 1,5 mil pessoas) eram majoritariamente católicos e não estavam dispostos a receber o Evangelho. Também encontrei dificuldades em assimilar novos costumes culturais, sem contar com a locomomoção: eu tive que caminhar 7 km para celebrar a Santa Ceia aos fiéis, com o filho no colo”, relata. Logo a família estaria na Argentina, na cidade de Posadas, onde trabalharam entre os anos de 1997 a 2000.

Mas Elson Junior relutava em atender ao chamado do Mestre. Ele retornou ao Brasil com a família em 2000, permaneceu na cidade de Brusque e casou-se. Mas ele sabia que o campo missionário o aguardava. Logo o pastor Arcelino Vitor de Melo (naquela época ainda líder da igreja em Joinville) convoca a família para retornar à Argentina em 2006. Mas Elson Junior permanece no Brasil. Durante as comemorações do Natal, em visita à família, o Senhor fala de maneira poderosa à Elson Junior “Foi necessária uma profecia na qual meu filho entendeu que havia chegada a hora de ele agir no campo missionário”. O rapaz não teve mais dúvidas, voltou ao Brasil, desligou-se da empresa na qual trabalhava e foi ajudar o pai no país portenho. Ele trabalhou por lá nos anos de 2006 a 2011.

Na província de Corrientes, o jovem missionário dedicou-se ao radialismo para anunciar a Palavra de Deus, também visitava novos convertidos e liderou os jovens. A presença de Deus no ministério de Elson Junior foi notável que resultou em um fato curioso: ele falou de Jesus para um mendigo e hoje ele é porteiro da igreja na igreja em Corrientes (capital da província de igual nome). Após trabalhos na cidade de Imbuia (setor de Vidal Ramos – SC) como coordenador do departamento de missões, o jovem missionário passou a atuar como pastor auxiliar na igreja de Brusque (SC).

A jovem missionária Lidiane Costa Almeida, 26 anos também relutou quanto à sua chamada ministerial. Filha do casal de missionários Raimundo Otávio e Edileuza. Ela acompanhou os pais ao campo missionário no Piauí quando contava 10 anos de idade. Eles deram início aos trabalhos no povoado de Jacaré. Como ainda era uma criança, pouco entendia o que se passava ao seu redor, mas com o passar do tempo ingressou no departamento infantil, já na adolescência, foi designada para atuar junto à este setor e mais tarde no Círculo de Oração. Mas apesar de toda essa integração, Lidiane não tinha o menor interesse em seguir os passos dos pais. “Eu observava as necessidades dos meus pais no campo missionário, e eu não queria isto para mim”, lembra a jovem.

Com o passar do tempo, ela passou a questionar o Senhor quanto as dificuldades enfrentadas no setor educacional no campo missionário. Depois, com o agir de Deus em sua vida, os obstáculos já não influenciavam tanto e passou a considerar a sua vocação de ser missionária. A jovem afirma que até os 19 anos esteve junto aos pais na missão e, como todo estudante, ela acalentava o desejo de ingressar na faculdade.

“Eu desejava estudar na faculdade e me dei conta de minhas deficiências na área de educação, mas eu falei com o Senhor que meu desejo era investir os meus conhecimentos em sua vontade”, disse a jovem. O seu primeiro vestibular foi feito pelo Prouni e conseguiu uma bolsa para estudar na faculdade R. Sá, no curso de Comunicação Social, mas que logo foi substituído pelo curso de Serviço Social. “Eu percebi que com este curso eu poderia atuar com mais desenvoltura no campo missionário”. Ela formou-se em 2013.

Mas, antes disso, Lidiane enfrentou o dilema de contar aos pais o desejo de ser missionária. “Eu imaginava a cena de como seria contar a eles os meus projetos para seguir os seus passos”. Mas Deus preparou o caminho: o secretário de missões na cidade de Belém (PA) lhe convidou para  trabalhar no setor. Ao retornar à casa dos pais, no Piauí, após as férias na capital do Pará, ela orou ao Senhor para ter como falar com seus pais sobre seus planos. Na manhã de domingo, em um evento, a mensagem do preletor tocou profundamente no coração do pastor Raimundo, mais tarde Lidiane conversou com os pais; o pastor revelou a sua preocupação sobre o fato de ser uma jovem solteira, mas aceitou pois se tratava de uma vocação ministerial da filha.

Em 2014, com as passagens compradas, Lidiane foi para São Paulo e ingressou no curso da Escola de Missões da Assembleia de Deus (Emad), formou-se em dezembro do mesmo ano, em cerimônia que contou com a presença do diretor executivo da CPAD, Ronaldo Rodrigues de Souza. Desde então, ela passou a trabalhar na secretaria de missões na Assembleia de Deus em Cidade Nova, Ananindeua (PA), no aguardo de surgir uma oportunidade para atuar no campo missionário.

Por, Eduardo Araújo.

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