Princípios bíblicos do amor e da unidade

Princípios bíblicos do amor e da unidadeDos muitos princípios irrevogáveis registrados na Bíblia, convido-vos a uma reflexão sobre os princípios do amor e da unidade.

Princípios do amor (1 João 3.18)

Os termos gregos transliterados que aparecem no texto bíblico do Novo Testamento são: Agapao, Ágape e Philco. Agapao 142 vezes, Ágape 116 e Philco 25. Quando vemos um Léxico ou um dicionário, percebemos que possíveis diferenciações semânticas entre Ágape e Philco são construções sem grande consistência. Há, entre os gramáticos exegetas, certo consenso de que o emprego de um e de outro é mero recurso estilístico. Um terceiro termo grego para amor seria Eros, que não aparece no Novo Testamento. Neste caso, o significado de um envolvimento de ordem sexual é bastante evidente. Quando a Bíblia refere-se ao amor, considera-o como atributo de Deus (1 João 4.8), como dom do Espírito Santo à igreja (1 Pedro 4.8) ou ainda, como parte do fruto do Espírito Santo (Gálatas 5.22). Podemos dizer que o amor está, ao mesmo tempo, presente na igreja, como um elemento constitutivo do Corpo de Cristo, e fora dela, como algo que deve ser baseado pela intimidade com Deus.

O amor é a prova da espiritualidade –  O amor é maior dentre todas as virtudes cristãs, se constituindo no solo de onde brotam e se desenvolvem todas as demais virtudes espirituais (Gálatas 5.22). Se o amor não se implantar na alma, não pode haver regeneração, ou seja, uma alma egoísta está longe de representar uma vida regenerada. 1 João 4.7 assegura que o amor caracteriza o novo nascimento. Amar é próprio aos nascidos de novo, pois nasceram de Deus e Deus é amor. É como se ele tivesse recebido por implante uma natureza altruísta e cuidadosa. Alguém que se chama igreja deve ser cuidadosa consigo mesma, com as coisas concernentes a Deus e com o próximo. O exercício do amor representa a verdadeira espiritualidade e isso é muito diferente de uma mera “vestimenta espiritual”. Trata-se de algo incontrolável. Para a igreja real é impossível não amar (1 João 4.8). Nós fomos aceitos no amado (Efésios 1.6), e assim, no ceio da família de Deus. Nela pelo amor contingente. Nesse sentido, imitamos ou reproduzimos algo próprio da essência divina, pois é na trindade que se encontra o vínculo do amor de forma absoluta, o Pai que ama o Filho, os quais amam o Espírito Santo. Para a igreja, praticar o amor é desenvolver-se. A produção do bem ao próximo é a própria cooperação que nos cabe na disseminação do evangelho. Num tempo talvez não tão distante assim, os púlpitos luxuosos não serão mais do que pedras amontoadas, então o que irá valer será o simples e ao mesmo tempo inefável exercício do amor.

O amor é a prova da espiritualidade – O amor é maior dentre todas as virtudes cristãs, se constituindo no solo onde brotam e se desenvolvem todas as demais virtudes espirituais (Gálatas 5.22). Se o amor não se implantar na alma, não pode haver regeneração, ou seja uma alma egoísta está longe de representar uma vida regenerada. 1 João 4.7 assegura que o amor caracteriza o novo nascimento. Amar é próprio aos nascidos de novo, pois nasceram de Deus e Deus e amor. É como se ele tivesse recebido por implante uma natureza altruísta e cuidadosa. Alguém que se chama igreja deve ser cuidadosa consigo mesma, com as coisas concernentes a Deus e com o próximo. O exercício do amor representa a verdadeira espiritualidade e isso é muito diferente de uma mera “vestimenta espiritual”. Trata-se de algo incontrolável. Para a igreja real é impossível não amar (1 João 4.8). Nós fomos aceitos no Amado (Efésios 1.6), e assim, no seio da família de Deus. Nela pelo amor contingente. Nesse, sentido, imitamos ou reproduzimos algo próprio da essência divina, pois é na trindade que se encontra o vínculo do amor de forma absoluta, o Pai que ama o Filho, os quais amam seu Espírito. Para a igreja, praticar o amor é desenvolver-se. A produção do bem ao próximo é a própria cooperação que nos cabe na disseminação do evangelho. Num tempo talvez não tão distante assim, os púlpitos luxuosos não serão mais do que pedras amontoadas, então o que irá resolver será o simples e ao mesmo tempos inefável exercício do amor.

O amor é o cultivo da vida – De certa forma, usando a analogia de um bolo, o amor é o tabuleiro  do glacê. Ele é o que sustenta e ao mesmo tempo o que enfeita a vida cristã. Ele é o que ninguém comenta, o que não dá “IBOPE”, e ao mesmo tempo o que vai colorir as relações com Deus, com os homens e com toda a criação. Amar, portanto, é cultivar a vida, é prestar atenção ao óbvio corriqueiro, reconhecendo ali algo novo de Deus. Amar é ouvir histórias longas da vida humana, aparentemente repetitivas, mas singulares a quem descreve. Para exercitar o amor é preciso a coragem de se negar para encarnar o outro, pensando-lhe as dores, os sofrimentos. É ser um “Bom Samaritano” (Lucas 10.25-37) convicto. O amor como semente do Espírito Santo deve nos tornar tolerantes (Lucas 9.49), não juízes uns dos outros (Mateus 7.1-5), corajosos no “perder a vida” (Mateus 10.34-39), humildes (Mateus 11.28-30), semeadores do evangelho (Mateus 13.1-23), crianças dependentes da graça divina (Lucas 18.15-17), enfim seguidores conscientes do Senhor Jesus (Lucas 14.25-33).

O amor é o cumprimento da Lei – Toda a Lei foi resumida por Jesus como sendo o exercício do amor e num eixo horizontal, em relação ao próximo (Mateus 22.34-40). O amor impede a igreja de viver uma vida vã, oculta pela religiosidade. Nenhuma outra prática que inventemos nestas “loucas liturgias” e “reedições judaizantes” poderá suprir a ausência do amor em nossas relações. Os cargos e títulos clericais não suspendem esta mesma necessidade. Tudo isso é refúgio (Filipenses 3.8). Cumprir a Lei para a igreja significa amar até as últimas consequências. Não temos mais sacrifícios, oferendas e festas simbólicas. O que nos restou foram traços da moralidade divina, uma ética cristã baseada fundamentalmente no amor. Quando amamos, apagamos multidão de pecados e comprovamos a eficácia do sofrimento de Cristo na cruz, pois, com Ele, aceitamos morrer um pouco, todos os dias, a fim de que sua glória se manifeste. Esta é a lei que nos movimenta, que nos capacita a esquecermos de nós no serviço a Deus e ao próximo. Isso é amar a Cristo (Mateus 25.31). Portanto, quando falamos de amor, não nos referimos, a uma mera emoção cheia de afeto, falamos de uma qualidade de nova criatura em Cristo, de um sacrifício eminentemente cristão.

Princípio da unidade (Efésios 4.4-6)

O princípio bíblico da unidade está evidenciado inicialmente, na união mística entre Cristo e a Igreja (2 Coríntios 11.2 ou Efésios 4.32). Deste modo, é a possibilidade, como a igreja, de viver unida e de ter laços profundos indissolúveis com o Senhor Jesus. Deve-se ter em mente que este princípio, no aspecto da união entre Cristo e sua Igreja, está profundamente esclarecido na expressão paulina ‘em Cristo’ (Colossenses 1.21-29; Romanos 12.5; 2 Coríntios 5.17; Efésios 2.10-13; 2 Timóteo 3.12).

Uma segunda forma de definir unidade no ambiente bíblico é a relação que deve existir entre os membros do corpo de Cristo. O texto áureo, neste sentido, é o de Efésios 4.1-16. Nele, Paulo afirma que devemos ‘preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz’ (v. 3) e que ‘cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus’ (v. 13). A palavra grega usada nestes dois versos é ‘henotes’ que significa ‘um’, ou seja, ‘um Espírito’ e ‘uma fé’. Sugere-nos uma norma de conduta para a igreja em suas relações interpessoais ou entre irmãos. Neste sentido é dito: ‘Andar de modo digno da vocação’, ‘com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor’ (v. 12); ‘esforçando-vos’ (v. 3). Uma apresentação do corpo de Cristo como sentido único, um Espírito, uma esperança, um Senhor e etc., também é feita para reforçar esta tese (v. 4-6). Além disto, Paulo estende a concessão dos dons (v. 11 e 12) com o objetivo de produzir a ‘unidade da fé’ (v. 3), ou seja, para gerar uma só fé.

Unidade no Antigo Testamento –  No Antigo Testamento, o princípio da unidade pode ser demonstrado a partir da expressão ‘häbër’, que significa unido, associado, companheiro. Em aramaico, o termo indica o relacionamento de intimidade entre Daniel e seus três amigos graças à sua fé comum e à lealdade a Deus (Daniel 2.13-18). O salmista afirma categoricamente que o temor de Deus é o elo entre os companheiros (Salmos 119.63).

Também usado para expressar o relacionamento bem íntimo que existe entre pessoas de diferentes condições de vida. Os israelitas se uniram ‘como um só homem’ em sua guerra contra os benjamitas, motivada pelo crime hediondo por eles cometido (Juízes 20.11). Os homens podem unir-se intimamente como ladrões (Isaías 1.23), como destruidores (Provérbios 28.24) e como sacerdotes corruptos, comparados a salteadores emboscados (Oséias 6.9). Mas também podem unir-se para o louvor (Êxodo 15.20), para a consecução de tarefas (2 Reis 6.1-3) entre outras  ações.

Unidade no Novo Testamento – Como disse anteriormente, quando defini o princípio da unidade, o Novo Testamento está repleto de afirmações que aludem a este princípio.

Comecemos com as próprias palavras de Jesus em João 15.2: ‘Todo ramo que estando em mim…’. Estar em Cristo é condição necessária para se viver o princípio da unidade. Pode até parecer que o Mestre estava se referindo apenas ao aspecto transcendente ou espiritual da unidade, mas veja como ele traz este assunto também para o âmbito do relacionamento humano: v. 12a: ‘…vos ameis uns aos outros…’. Nesta orientação sobre a unidade, o grande projeto de Cristo é o amor. Não um amor teorizado por alguém, mas o verdadeiro amor, demonstrado pelo próprio Senhor (v. 12b). O fim proveitoso desta unidade é o mandamento do amor.

Paulo vê a unidade como algo a ser buscado pela igreja a partir da experiência de ‘estar em Cristo’. O cristão neste mundo tem a experiência única de viver sua vida atrelada à de Cristo (Romanos 6.8; 8.10-13; 14.7, 8; 1 Coríntios  8.6; 2 Coríntios 5.15; Gálatas 2.19-20; Filipenses 1.21-22). Este atrelamento inicia-se no batismo e é mantido na realização da Ceia, onde o participante demonstra publicamente sua relação com o Senhor (1 Coríntios 11.26-29; Atos 19.1-5). Figuras como o corpo, edifício e lavoura (1 Coríntios 3.9; 12.12 ss; Efésios 2.21, 22), são utilizados para demonstrar esta relação. A partir destes pontos, o apóstolo desenvolve a doutrina da unidade com foco mais direcionado ao comportamento do cristão no que diz respeito aos seus semelhantes. A igreja devia lembrar de sua unidade orgânica (1 Coríntios 12.12-31) gerenciada pela doação dos dons, sendo o primeiro deles o amor (1 Coríntios 13). Os fracos deviam ser ajudados (Romanos 15.1; 1 Coríntios 8.9-11; 1 Tessalonicenses 5.14). As questões entre irmãos deveriam ser tratadas no ambiente da igreja (1 Coríntios 6.1-11), além do fato de imitarem ao Senhor Jesus (1 Coríntios 11.1). A unidade, então, deveria ser fruto da experiência de conversão e batismo, além da manutenção da vida cristã explicitada na Ceia e nas questões diárias. Recordando o texto de Efésios 4: andar de modo digno, com humildade e mansidão, suportando-vos em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz (v. 1-3), até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não sejamos mais como meninos (v. 13-14). Crescimento espiritual está intimamente relacionado à unidade.

Por, Germano Soares.

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