O inesquecível detalhe, a infalível lâmpada

O inesquecível detalhe, a infalível lâmpadaBoas novas chegam-nos desde Jerusalém. Na cidade de David multiplicam-se, neste alvorecer do ano de 2015, as casas dos judeus cujas  portas têm sido abertas para que nelas se realizem reuniões de oração. O ministério envolvido nessa bela expansão do Reino solicita apenas através de correspondência eletrônica, nossa concordância no sentido de que o Senhor envie mais trabalhadores para essa particular seara. Glorificado seja o Nome dAquele que move todas as coisas.

Sem desmerecer as várias manifestações de apoio a Israel, sempre muito bem vindas, ainda que passageiras, por vezes dispendiosas e, repetidamente, incoerentes, em especial quando a celebração caminha paralelamente a conceitos oriundos da teologia da substituição, ou quando as mesmas vozes celebrantes insistem em repetir os conceitos antissemitas propagados abundantemente por uma mídia envolvida com uma ideologia contrária à existência de Israel, faz-se necessário lembrar que a oportunidade de participar de festividades de apoio deve ser acompanhada de ações e palavras que reafirmem o futuro glorioso preparado para descendência de Abraão. O mais grato ruído de celebração chega aos céus através das orações dos santos, estabelecidos sobre os muros espirituais da Cidade, clamando por ela até que seja “estabelecida como objeto de glória e louvor na Terra”. Saber que a literatura cristã aumenta em número e distribuição em Israel é motivo de alegria. Receber a informação de que estratégias repletas de sabedoria do Eterno são dadas aos valentes que militam ali renova-nos a fé e esperança. Contemplar o amor com que, nos púlpitos das igrejas, é citado o povo judeu, aquece os missionários constantemente perseguidos no cumprimento da tarefa que lhes foi confiada. Porém, maior e mais alta alegria toma-nos o coração diante da nova – multiplicam-se as orações, judeus solicitam a outros judeus, estes messiânicos, para que elevem orações a Deus por meio do Messias. O que principiará a partir daí? O que já está em curso desde que as casas de oração 24 horas multiplicaram-se em Israel, desde a fronteira norte, no limite com a Síria, até a aridez do deserto, ao Sul? Que mover é esse agora, que adentra as residências e encontra lugar na intimidade dos corações?

Pode parecer a alguém excessivo o júbilo diante da pequena mensagem. Talvez seja mesmo, especialmente para quem desconhece os desafios de propagar o Evangelho na Terra Santa. Recordo-me de uma viagem a Israel, em 1992, com entrada pelo Sul, pela cidade de Eilat. Levava em minha mala vários pacotes amarrados com elástico. A rapidez da partida, a solicitação apressada de literatura em hebraico e ídiche, vinda da Missão Hebraica de Cleveland e outros fatos não permitiram melhor arranjo dos folhetos. Roguei ao Senhor para que minha mala não fosse escolhida para averiguações na fronteira do Egito com Israel. Foi, contudo, com Sua permissão que justamente ela fosse selecionada para revista. Ali, sobre as roupas e objetos de uso pessoal, estavam ricas porções da Palavra, sem sequer a proteção de papéis que ocultassem as letras. Lembro-me da expressão da oficial, revirando a bagagem, espantada com o que via, até que, não resistindo, questionou-me. Afinal, dizia ela, há comida em Israel. Por qual motivo, então, levava tanto alimento na mala? Até hoje desconheço o que aquela moça viu; talvez tenham sido frutas, grãos, enlatados. Ela estava correta: tratava-se de comida – para a alma, no entanto, e não para o corpo. Mas isso é só um detalhe que, ao coração do semeador, encheu de alegria e gratidão.

Jesus manifesta-se hoje, pessoalmente, a Rabinos e líderes islâmicos. Jovens islâmicos convertidos e cheios do Espírito pedem perdão a jovens judeus. Jovens judeus abraçam antigos inimigos. A arqueologia confirma, dia a dia, usando a linguagem das pedras, que a Bíblia é inerrante e que é a infalível Palavra de Deus, sendo perigoso despresá-la quando analisamos os últimos acontecimentos mundiais. Grupos terroristas ganham espaço em vários países, procurando impor a sharia (lei religiosa), mesmo que através da jihad (guerra santa). Os Estados Unidos parecem ignorar o avanço da Irmandade Muçulmana em suas terras e ignora mesmo a tese de Stephen Coughlin, sugestiva já pelo título: Só temos a perder: ignorar o que os extremistas dizem sobre jihad, mesmo que a obra tenha se tornado referência quando se trata do estudo da lei islâmica. Para alguns, essas coisas são meros detalhes. Parecem mesmo não tomar conhecimento da crescente perseguição aos crentes na Coréia do Norte, na Índia, na Síria, no Paquistão.

Por outro lado, aprendemos que Deus não despreza os detalhes. Por um detalhe iniciou a humanidade através de Adão, literalmente “o terroso”, tomado da “adama” (terra), muito embora prefiramos referir-nos a ele simplesmente como “homem”. A ele, o Eterno fez ser pai de Seth, cujo nome significa “o substituto” (para alguns, o “substituto apontado”). Seth, por sua vez, foi pai de Enosh – “mortal”. Esse “mortal” foi pai de Kenan, nome hebraico para “sofrimento”. Dele nasceu  Mahalalel, ou “o Elohim bendito” e, deste, Yared, forma verbal flexionada que significa “descerá”. Enoch, seu filho, tem nome de “ensinamento” ou do próprio ato de ensinar. Methuselah é uma expressão: “sua morte trará”. Lamech tem uma função de objeto: “para o desesperado”. Noah, nosso amado Noé, tem nome que significa “conforto, consolação, descanso”. O pastor Marcelo de Oliveira no seu livro A fascinante cultura judaica, faz a ressalva: “Há coisas que podemos até rejeitar, mas há outras […] que nos fazem pensar e meditar quão profundos são os mistérios da Palavra de D’US”. Nada místico, apenas um detalhe que reafirma, desde os primeiros pais, nas escolhas de seus nomes, de Adão a Noé, o cuidado de Deus a nos alentar com a mensagem de esperança neles contida: um homem mortal e sofredor, o Elohim bendito, descerá, ensinará e sua morte trará para o desesperando o conforto, a consolação, o descanso.

O Senhor nos ordena consolar a Sião. Outra consolação não há que possa alcançar seus filhos senão o próprio Elohim encarnado, previamente anunciado, cumpridor pleno de toda a Torah por sua morte. Israel inicia o processo de convidar crentes para que abençoem suas casas, suas famílias. Disse o Senhor que quem nos receber a nós, a Ele estará recebendo. Quem recebe alguém em nome do Eterno há de dizer: “Bendito o que vem em nome do Senhor”. É hora, portanto, de crer num avivamento em Israel, pois todo avivamento é precedido pela oração – formal ou esquecida prática que, para muitos, mesmo na vida chamada cristã, reduziu-se a um mero detalhe. Aos que não desprezam a disciplina espiritual dos santos, fica a nota de esperança, pois, na Cidade do Grande Rei, pequenos e perseverantes círculos de oração começam a brilhar como chamas no meio da noite, unindo-se a outros, levando luz a Israel.

Por, Sara Alice Cavalcante.

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