Teologia da Graça de Deus

Teologia da Graça de DeusChamo de Teologia da Graça de Deus os valiosos ensinamentos das Sagradas Escrituras sobre a gloriosa e grandiosa graça de Deus, que o indivíduo humano recebe por meio do Senhor Jesus Cristo, nosso bondoso Salvador. A experiência cristã nos revela que essa graça divina é incomparável e maravilhosa.

A palavra graça significa: “O favor imerecido que Deus concede ao homem”. Na verdade, é uma significação simples, se olharmos a grandeza de Deus, pois a graça faz parte dos atributos de Deus; ou seja, é algo inerente ao próprio Senhor, porém, não é uma emanação dEle. A graça faz parte do caráter dEle manifestado através da sua bondade e de Sua vontade mediante o arrependimento humano.

Deus libera a Sua graça para alcançar os pecadores mediante a Sua Suprema vontade, de acordo com as condições de arrependimento do pecador que não merece receber essa graça, mas, através de Cristo, Deus a concede. A graça é uma demonstração do favor da misericórdia, e do amor de Deus indo de encontro com as necessidades humanas; portanto, é muito difícil em simples palavras definir a graça de Deus, haja vista a sua amplitude espiritual e seu alcance, como seres mortais que somos e limitados em nossos conhecimentos a respeito da grandeza de Deus dizemos que a graça de Deus é “o amor, a bondade, a misericórdia, a justiça, o favor de Deus para com uma humanidade desmerecedora”.

A graça no processo histórico da salvação

No decorrer da história bíblico-antropológica, a graça de Deus vem se manifestando por etapas, o que pode ser percebido perfeitamente no desenrolar da história. A princípio, Deus revelou a Sua graça demonstrando a bondade e misericórdia, favor e amor para com a humanidade independentemente de qualquer coisa, como por exemplo, na criação. Depois Deus revelou a Sua graça por intermédio de Jesus Cristo; na etapa final Deus torna favorável a salvação e santificação de todos os que se arrependem e pela fé, aceitam Jesus Cristo como único Salvador.

No desenrolar da história vemos a manifestação da graça de Deus para com as nações, a exemplo, Deus, por Sua graça, libertou a nação de Israel da servidão e escravidão do Egito (cf. Jonas 4.2; Salmos 86.15; Êxodo 34.6; Joel 2.13). Teologicamente o povo de Israel foi alcançado pela graça de Deus, sem o merecimento. Israel foi escolhido por Deus para ser propriedade peculiar por Sua imensurável graça (Cf. Deuteronômio 7.6-9). A graça de Deus esteve presente durante toda a peregrinação de Israel pelo deserto causticante até a chegada em Canaã, suprindo todas as suas necessidades.

O arrependimento para o alcance da graça de Deus – A graça de Deus para salvação é para todos indistintamente, porém, nem todos aceitam, ou querem essa graça, haja vista ela depender de fatores humanos. O arrependimento é o lado humano para alcance da graça de Deus para salvação, porém, nem todas as pessoas se arrependem lamentavelmente não alcançam a graça de Deus. Arrependimento é mudança de comportamento e processo mental que leva a pessoa a um novo modo de agir. O arrependimento envolve três áreas básicas da vida humana:

1 – Área intelectual – O pecado passa a reconhecer a sua situação pecaminosa diante de Deus e ter consciência de seu erro. Na verdade, ele reconhece a sua culpa diante do Todo Poderoso.

2 – Área Emocional – O pecador começa a sentir pesar pelos seus erros, ou seja, o indivíduo começa a sentir tristeza, repudio, nojo do pecado (cf. Lucas 18.13; Lucas 22.63).

3 – Área da Vontade – O pecador começa a buscar o perdão em Deus (cf. Atos 2.41) mediante a confissão (cf. Romanos 10.9).

As dimensões da graça divina

A graça no sentido geral – É também chamada de graça comum, ou seja, Deus, pela Sua misericórdia, estende a Sua bondosa mão a toda a humanidade, independentemente do individuo crer ou não. Deus age pela Sua soberania e derrama Suas insondáveis bênçãos sobre todas as pessoas (cf. Salmos 145.8-9).

Deus é longânime e aplaca a Sua ira contra a humanidade perdida, dando tempo e espaço para que os povos, nações, tribos ou pessoa venham a se arrepender. O Senhor Jesus Cristo falou sobre esta graça geral em Mateus 5.45. Por ela, os homens receberam indiscriminadamente as bênçãos materiais, as chuvas, as estações para frutificação, por esta razão é que os ímpios prosperam (cf. Salmos 73).

Graça para salvação – É uma espécie de graça especial de Deus, que mediante o arrependimento humano conduz este a salvação (cf. Efésios 2.8; João 6.44). Essa graça é acompanhada com a verdade manifesta através de Jesus Cristo (cf. João 1.17), neste sentido, Cristo é a expressão da graça. É uma graça sem limite e abundante (cf. Romanos 5.20). Esta dimensão da graça envolve dois elementos humanos que contribuem para a salvação: a fé e o arrependimento.

Destaque aqui para fé, haja vista ter comentado acima sobre o arrependimento. “Crê no Senhor Jesus Cristo”; como resultado dessa fé, dessa crença em Jesus, “será salvo tu e a tua casa” (Atos 16.31b). A fé é um firme fundamento (Hebreus 11.1), que leva o indivíduo a reconhecer e aceitar Jesus Cristo como único salvador, o pecador agora arrependido, aceitando Jesus que estende a Sua mão graciosa e o perdoa tornando-o uma nova criatura (1 Coríntios 5.17). Mediante a fé em Cristo e o arrependimento humano, Deus, com Sua graça, perdoa o pecador redimido da pena, e absolve o culpado, ou seja, Deus apaga a culpa do réu (cf. Isaías 43.25);  não que o indivíduo é absolvido por ser merecedor, ou pelo seu esforço próprio, mas pela determinação da graça (cf. 2 Timóteo 1.9).

O perdão da parte de Deus é incondicional mediante duas condições humanas:  a primeira é confessar o pecado (cf. Provérbios 28.12), e a segunda é abandonar o pecado (cf. João 8.11b). Portanto, a graça salvadora é vista como um dom gratuito de Deus, concedido a uma pessoa por meio da fé mediante arrependimento, independente de qualquer obra ou mérito da parte humana (cf. Efésios 2.8-9).

A graça divina para santificação – Após a salvação do indivíduo inicia o processo da santificação que é a tarefa do Espírito Santo, com intuito de capacitar o cristão para servir melhor o Senhor Jesus Cristo. A santificação é definida como a graça de Deus operada pelo Espírito Santo para que o crente possa ser modelado à imagem de Cristo, e ter “o mesmo sentimento que ouve em Cristo Jesus” (cf. Filipenses 2.5). Santidade deve ser vista nos dias hipermodernos como estilo de vida ou filosofia de vida cristã (cf. 1 Tessalonicenses 4.7). O mundo está escravizado pelo pecado, mas, Deus dá graça para vencermos (cf. Daniel 1.8-9). Há pelo menos quatro termos que uso na Teologia da Graça para definir o processo da santificação mediante a graça.

1 – Santificação e consagração – A santificação é meio pelo qual o crente terá condições de ver a Deus (Hebreus 12.14; 1 Pedro 1.16). A santificação é um processo que se inicia quando o individuo aceita Jesus como salvador, essa é a santificação instantânea, o homem torna-se santo ao nascer de novo. Em Atos 16.31 está escrito: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo”. Só é salvo quem é santo, se não for santo não é salvo.

2 – Santificação significa purificação – Esta é a condição que Deus requer de todos os cristãos compromissados com a Sua Palavra. Isso fala de santificação interna da alma, espírito e dos pensamentos (Tessalonicenses 5.23; Hebreus 9.13; 2 Coríntios 7.1).

3 – Santificação significa dedicação – O cristão se separa do mundo para dedicar-se a Deus com mais profundidade, amor e gratidão (cf. Gálatas  2.20).

4 – Santificação significa separação – Isso é, ter um viver separado de tudo o que é ofensivo a santidade de Deus, viver no mundo, mas, não compartilhar das coisas pecaminosas do mundo. A separação deve ser entendida como separação do pecado e não do pecador (cf. 2 Coríntios 6.17-18; 1 Pedro 2.9; João 7.16).

Graça para suportar as aflições – O Senhor Jesus Cristo deixou claro que no mundo teremos aflições (cf. João 16.33), portanto, Ele não prometeu um Evangelho fácil, um cristianismo light, o hipermodernismo prega um cristianismo sem Cristo, sem cruz e sem santificação, apenas para massagear o ego de alguém. Aqueles que querem viver piamente passarão por aflições (cf. 2 Timóteo 3.2), portanto, o sofrimento e as aflições fazem parte da vida humana, haja vista a ação e a natureza do pecado, até mesmo o processo de envelhecimento do corpo trás aflições e dores.

Ao estudar a teologia paulina, percebemos que Paulo tinha um “espinho na carne”, que o incomodava muito, ou seja, uma aflição, uma debilidade, que por três vezes, pediu a Deus para que o deixasse livre. A resposta de Deus foi estendendo a Sua graça até Paulo, graça para suportar: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza” (cf. 2 Coríntios 12.9). Com a graça de Deus é possível suportar os intempéries da vida, pois ela é suficiente para fortalecer o cristão em momentos difíceis. Portanto, nos momentos cruciais de nossa caminhada espiritual, quando a enfermidade bate à porta, o desemprego ou outra forma de sofrimento, Deus dá graça para suportar e seguir em frente (cf. Daniel 1.9; Salmos 46.1-2). Lembremos que “os mais belos hinos e poesias foram escritos em tribulações”, como diz o hino da Harpa Cristã, nº 126. Deus proporciona graça suficiente para nos fortalecer em meio a qualquer provação, tentação ou período de sofrimento.

Por, Mauricio Brito.

Uma resposta para Teologia da Graça de Deus

  1. Paulo Eduardo Kuester disse:

    Vc gosta de música evangélica?
    Vc precisa ouvir essa música, é d+ !
    Fique com Deus, ele é maravilhoso !

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