Ano 5775, Shabat Shemitah: terra do Eterno

Ano 5775, Shabat Shemitah - terra do EternoOs dias festivos de Sucot (tabernáculos) são passados. Antes deles, o Memorial com Trombetas teve seu lugar, além de YomKippur. Entre essas duas últimas celebrações, a graça do Senhor fez descer sobre Israel, desde os céus, HaYored, a chuva temporã, para regar a semeadura do ano civil que se findou e preparar suprimento para a nação nos próximos anos. Sim, os celeiros precisam estar abastecidos neste início de mais um ano sabático. O ano 5775 é o sétimo de uma sequência de anos, e nasce com o acréscimo do termo “shemitah”, ou seja, liberar, deixar livre, retirar-se, como forma de fazer lembrar a ordenança estabelecida na Palavra de deixar livres os devedores e os servos, numa antecipação daquilo que ocorre mais profundamente no ano do Jubileu. Enquanto homens são despedidos livres, a terra goza do descanso que lhe confere Seu possuidor. No sábado da terra os agricultores não semeiam mais, aram, plantam ou colhem, podendo apenas fazer os trabalhos mínimos necessários para a manutenção dos campos. Precisam, para isso, crer que a produção do ano que antecede o sabático será suficiente não apenas para suprir o seguinte, mas para cobrir o tempo que se gastará com a nova semeadura. Com isso, enraíza-se no coração a certeza de que a bênção não nasce da terra ou da fortuna acumulada pelo homem, mas de Deus que providencia o sustento. DEle vem a fertilidade da terra, a prosperidade da colheita e o próprio crescimento das plantas. A autoconfiança dá lugar ao humilde reconhecimento de que a terra e seus frutos pertencem ao Criador.

Vários costumes exaltam o verdadeiro Senhor dos campos. O livre acesso às plantações, os portões abertos, a santidade do fruto – especialmente a santidade do fruto – dão a nota da diferença entre um ano sabático e os demais anos. “Os produtos de Shemitah não podem ser vendidos comercialmente, por causa da sua santidade, nem mesmo após o fim do período, uma vez que são sagrados para sempre” (Organização Chabad). Assim, todos os frutos são santos. Mesmo as cascas e as partes não comestíveis não devem ser jogadas no lixo, mas deixadas sobre a terra, para que se decomponham sozinhas. Os frutos pertencem a Deus, porque a terra Lhe pertence. O judeu cumpridor dessas ordenanças é comparado aos anjos, que depositam inteiramente sua confiança no Eterno. Um precioso prêmio para os fiéis é a eliminação de toda a forma de exílio e a retomada da posse da terra prometida. O primeiro ano sabático ocorreu catorze anos após a conquista da terra por Josué, portanto, no décimo quinto ano depois de os israelitas cruzarem o Jordão, no ano 1258 a.C.. Agora, mais uma vez, a terra descansa e o homem reafirma sua fé na provisão de Deus.

Shabat Shemitah não parece ser o pano de fundo mais apropriado aos últimos acontecimentos em Israel, que vive em guerra silenciosa, especialmente na cidade de Jerusalém, onde mais de 3500 incidentes de apedrejamento foram registrados somente este ano contra judeus, contra as forças de defesa de Israel e conta a polícia de Israel. Somente em setembro foram 384 apedrejamentos. Um jovem árabe da região de Samaria lançou o carro que dirigia contra pessoas em uma estação de trem, ferindo mortalmente um bebê de três meses, além de deixar duas pessoas gravemente feridas e outras com ferimentos leves. O jovem foi baleado e levado para um hospital israelense, de onde sairá para a prisão. Cerca de 700 pessoas foram presas desde julho somente em Jerusalém. A violência é uma reação à decisão do governo de Israel de antecipar o planejamento de mais de 1000 casas na Cidade Santa, sendo 400 em Har Homa e 600 em Ramat Shlomo, dois bairros judaicos. A realização efetiva do projeto imobiliário inclui a mudança de 25 famílias para a Cidade de Davi onde, a partir de agora, a maioria dos moradores é de judeus. A região é o local da cidade conquistado pelo Rei Davi e início da construção da capital do Reino Unido de Israel, há 3000 mil anos. A organização El’ad tem ajudado no apoio e financiamento para a compra de imóveis por milhões de dólares a fim de restabelecer os judeus em sua terra de direito.

Para a União Europeia, tais projetos são incompatíveis com o processo de paz e impedem uma solução pacífica dos conflitos. Maja Kocijancic, porta-voz do serviço diplomático da União Europeia pronunciou-se: “Soubemos da decisão do governo de Israel, tornada pública, de avançar com a expansão das colônias em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia. Pedimos esclarecimento.” O pedido, mais do que uma solicitação de explicações, é uma exigência de que as ações sejam revertidas. Jen Psaki, porta-voz do Departamento de Estado americano disse que Washington está “profundamente preocupado” com o assunto. Já a italiana Federica Mogherini, a mais nova “Alta Representante da Comissão Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança”, cargo antes ocupado pela inglesa Catherine Asthon, marcou sua primeira visita oficial a Israel para o dia 7 de novembro. Mogherini é uma das  vozes que defendem para a pátria judaica a liberdade das decisões – trata-se, afinal, de um estado soberano que tem guardado uma política de não envolvimento nas decisões de outros países e povos, ao qual não convém depender de autorização alheia para a realização de seus objetivos.

Repensando,… talvez Shabat Shemitah seja o painel ideal para a retomada dos princípios estabelecidos na Torah quanto à importância da terra e seu real pertencimento. Os ensinamentos do ano sabático podem reforçar no coração dos israelenses a certeza de que, deixando ir em paz todo e qualquer perseguidor, é possível desfrutar daquilo que foi concedido, não pela força do homem, mas pela graça do Eterno. Os frutos colhidos não terão o sabor da conquista pelo suor – saberão a promessa fielmente cumprida.

Por, Sara Alice Cavalcante.

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