Resgatando o fundamento cristão do Natal

Resgatando o fundamento cristão do NatalVivendo em uma cultura que inverte valores, desconstrói significados e altera o sentido da própria história, reivindicar a verdade e defender a origem e o real sentido das coisas é um papel que a igreja e os cristãos não podem desprezar (1 Timóteo 3.15). No que se refere ao Natal, mais ainda. A chegada do final do ano exige algumas reflexões necessárias sobre o seu significado e aquilo que representa para a vida das pessoas. Nesse limiar do século 21, mais do que qualquer outra época, talvez seja necessário resgatar a essência da celebração natalina e o seu caráter cristão.

O atual contexto de diversidade religiosa tem transformado esta singular celebração em um evento materialmente próspero, mas espiritualmente vazio. Sob a influência de vários movimentos, o Natal tem se descaracterizado e perdido a sua essência e fundamento, que é Cristo.

Exemplo disso ocorreu no final de 2013. Uma organização de céticos, ateus e “livres-pensadores” dos Estados Unidos colocou um outdoor digital na Times Square, no centro de Manhattam, com a seguinte pergunta: “Quem precisa de Cristo durante o Natal?”. Como resposta, o outdoor apresentava o nome de Jesus riscado e logo depois a resposta para a pergunta: “Ninguém”.

O outdoor destacava que o verdadeiro significado do Natal era celebrar a família, os amigos e fazer caridade, além de degustar uma boa comida e curtir a neve. Na ocasião, o presidente da American Atheist, entidade responsável pela divulgação, disse: “Esta é uma ótima época do ano por uma centena de razões. E nenhuma dessas razões tem a ver com religião”. Ele aconselhou os americanos a iniciarem uma nova tradição: não comparecerem a igreja: “Você [cidadão americano] odeia ir ao culto, é chato. Você provavelmente só vai porque se sente culpado ou por que é obrigado. Em vez disso, você pode passar mais tempo com sua família e amigos ou se dedicar ao voluntariado. Existem melhores usos para seu tempo e dinheiro”, dizia a mensagem.

Ao extrapolar a liberdade de expressão, a campanha publicitária evidenciou total intolerância religiosa aos cristãos. Se o objetivo da organização, que afirma combater o preconceito, era divulgar aquilo que eles entendem como sendo “o verdadeiro significado do Natal”, por que, afinal de contas, não indagaram “Quem precisa de Papai Noel durante o Natal”, riscando também o seu nome? Por que a crítica foi dirigida essencialmente para Cristo?

Em verdade, toda aquela ação espalhafatosa fazia parte de uma agenda publicitária de difamação anticristã. Os novos ateus, como são chamados, não estão interessados em um diálogo tranquilo com a religião. O objetivo é desacriditá-la em geral e o cristianismo em particular, de forma hostil e virulenta.

Mas, ainda que os ateístas tentem desconstruir a história e reinterpretar o significado natalino, eles não conseguem apagar o seu verdadeiro fundamento. Ora, eles afirmaram que o verdadeiro significado no Natal era celebrar a família, os amigos e fazer caridade, além de degustar uma boa comida e curtir a neve. Mas, é importante perguntar: De onde os ateus tiraram a ideia de verdade? A resposta a essa pergunta faz toda a diferença. Se eles realmente acreditam que o Natal possui um significado, de onde extraíram os valores e princípios morais que dão sentido a este Natal?

O fato é que a existência da verdade pressupõe um fundamento absoluto, pelo qual separamos o certo do errado, o justo do injusto, o bem do mal. Como dizia C. S. Lewis, a lei moral é a chave para a compreensão do sentido do universo, e é algo que transcende os fatos do comportamento humano. Se existe uma lei, há por certo um Legislador.

Mas, se os ateus não acreditam na existência de Deus, a partir de qual fundamento eles defendem a existência de uma verdade ou do sentido do Natal? Em outras palavras: de onde eles tiraram o princípio moral segundo o qual o significado natalino é celebrar a família, os amigos e fazer caridade?

Na realidade, eles tomam emprestados os valores e fundamentos da fé cristã e usam em nome próprio. Os cristãos possuem convicções com firme fundamento, partindo do pressuposto elementar que Deus é o Criador de todas as coisas, inclusive do homem, dotando-se de capacidade moral para discernir entre o certo e o errado, a partir de um valor moral absoluto.

Logo, celebrar a família, os amigos e fazer caridade não é, para os cristãos, o significado último do Natal, mas sim a consequência do sentido da vida e dos atributos morais estabelecidos por Deus, por meio de Cristo. Isso porque, as Escrituras registram que nEle foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por Ele e para Ele. E Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele (Colossenses 1.16-17).

Portanto, Cristo pode até não representar o significado do Natal dos ateus e dos descrentes, mas essencialmente é Ele quem proporciona o significado da vida e estabelece o parâmetro para dizer que a família e amigos devem ser valorizados, ou que a paz e o amor precisam ser defendidos.

Na verdade, então, os ateus tentam andar de carona no caminho aberto pelo Cristianismo, com seus valores e princípios que dão sentido e significado ao Natal. Eles tentam se apoderar das conquistas proporcionadas pela fé cristã, a exemplo da liberdade, igualdade, caridade e justiça, a fim de usar em nome próprio.

Para os cristãos, pouco importa se Jesus nasceu ou não em dezembro, e se antes do cristianismo outras tradições faziam comemorações na mesma época. O Natal é uma celebração – e não um ritual – do seu nascimento, o momento em que o Verbo se fez carne e habitou entre nós (João 1,14), trazendo salvação a todos os homens.

Mas o Verbo é Eterno. Ele é antes de tudo. Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez. NEle estava a vida e a vida era a luz dos homens (João 1.3-4).

Tudo isso nos lembra aquele pai de família que preparou uma linda ceia e convidou várias pessoas para festejarem juntamente com ele. Ele era o anfitrião da festa. Mas no dia da ceia acabou expulso por alguns convidados, que passaram a degustar tudo quanto tinha no banquete e se alegrar com seus amigos, divulgando aos outros convidados que a festa havia sido preparada por eles. Enquanto isso, o pai de família se mantinha do lado de fora da casa.

Ele ofertou a comida, bebida e a sua hospedagem para as pessoas. A desconsideração delas não invalida o fato de que ele era o sustentador de todas as coisas. A razão da existência da festa.

Quanto ao Natal, somente Cristo pode dar-lhe significado. Até podem mudar o nome e a forma de comemoração, mas Natal só existe um. E a celebração é somente a lembrança de um Rei humilde que aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma d servo, fazendo-se semelhante aos homens (Filipenses 1.7).

É interessante que mesmo os ateus utilizavam a expressão Natal – que significa nascimento. Ou seja, no final de tudo, até os ateus precisavam de Cristo no Natal!

Por, Valmir Nascimento Milomem.

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