A oração do cristão

thumbs907aEm tudo a Bíblia é a regra de fé do cristão, ela fala por diversas vezes sobre a importância da oração (Daniel 6.1; Atos 2.42; 1 Tessalonicenses 5.17; Tiago 5.14), mas teologicamente sabemos que as Escrituras Sagradas falam da soberania e onisciência de Deus (Salmo 139; Isaías 40.13-18). As Escrituras declaram a importância da oração, e que ela faz a diferença, disso ninguém tem dúvidas, mas é imprescindível saber em que sentido a oração faz essa diferença, veja que Jesus ensina os Seus discípulos a orarem, mas nessa oração Ele menciona três coisas importantes que todos devem atentar.

Deus é o Pai que tem autoridade sobre os Deus filhos. Pela santidade que é expressada pelo Seu nome, isso denuncia a Sua superioridade, Ele está acima de todos, nunca na oração o cristão deve se igualar a Deus, além disso Sua autoridade é revelada aqui, assim Deus tem o pleno direito de mandar nas vidas dos Seus servos.

Todos devem procurar fazer a Sua vontade. Ninguém vai buscar a Deus em oração acreditando que Ele ainda vai decidir alguma coisa, veja que o texto é claro, “Seja feita a tua vontade”; se caso fosse afetado pelas orações dos cristãos seria uma prova clara de que o mesmo sofre influências humanas, o que revelaria mudança e também implicaria em imperfeição de Deus (Malaquias 3.6; Tiago 5.17). Deus não pode ser moldado pelas ideias ou influências humanas, todos quantos se achegam a Ele em oração devem fazer isso se sujeitando a Sua perfeita vontade, pois Ele é o Deus que conhece e sabe todas as coisas.

A oração que Jesus ensinou deixa claro que o cristão depende de Deus em tudo. Pelas expressões: “o pão nosso de cada dia”; “livra-nos do mal”; “teu é o reino”, é uma obviedade de que o cristão depende de Deus, e não Deus do cristão; precisamos entender que Deus é a fonte de todas as bênçãos, que Ele sabe perfeitamente de tudo, que não adianta o homem lhe dar conselhos, enfim, nunca o homem pode servir a Deus no sentido de Lhe dar instruções, pois Ele não é servido por mãos humanas (Atos 17.25).

Nessa oração modelo de Jesus (Mateus 6.9-13), Sua ênfase é que todos se submetam a vontade de Deus. Jesus não somente ensinou isso, mas Ele viveu o que pregou, por vezes se encontra nas Escrituras Jesus se submetendo a Deus, procurando fazer a Sua vontade (João 8.28-29; Lucas 22.42). Na oração de Jesus não se percebe nenhum tipo de deliberação autônoma, determinismo cheio de autoestima, onde o homem é mais valorizado do que Deus, antes, a humildade, sujeição, obediência era o que caracterizava a oração de Jesus, sempre procurando glorificar a Deus (João 17.1, 2). Jesus não levava em Suas petições algo para Deus pensar ou refletir naquilo que Ele iria tomar uma decisão, não havia nenhum tipo de conselho da parte de Jesus, antes Ele dizia: “Pai, seja feita a tua vontade”.

Jesus pedia ao Pai que a Sua vontade fosse feita por saber que Ele tinha conhecimento de todas as coisas, isso lhe dava muito mais confiança para entrar na presença do Pai e solicitar que a Sua vontade fosse feita (Mateus 6.31-33), o mesmo se dá para com aqueles cristãos que realmente conhecem a Palavra de Deus, sabem que o Senhor conhece todas as coisas, assim ele pode orar com confiança, pois tem um Deus que pode fazer tudo (Lucas 1.37; Hebreus 10.19-22).

O cristão deve orar não procurando ensinar a Deus ou lhe dando informações sobre algumas coisas, destarte, ele deve orar a Deus agradecendo e pedindo que em tudo a Sua vontade seja feita, pois como disse Paulo: “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8.28). Para o cristão chegar a esse entendimento é preciso que a sua mente seja renovada, somente assim ele experimentará a perfeita e agradável vontade de Deus (Romanos 12.1, 2).

Aqueles que querem fazer de Deus seu amuleto de sorte, seu fantoche, seu Aladim, procuram fundamentar suas ideias aberrantes, concernentes a oração que pode fazer Deus mudar de ideias, usando o texto de Êxodo 32.11-14, afirmando que o pedido de Moisés fez Deus mudar de plano, era como se Deus não soubesse de alguma coisa ou como se Ele estivesse errando, então, diante da oração conselheira de Moisés Deus teve os seus olhos abertos, deixou de cometer erros piores, pois foram os conselhos maravilhosos do líder hebreu que o fizeram mudar de ideia, que abriram os Seus olhos, seria isso verdade? Pelo próprio texto em apreço dá para perceber que nas colocações de Moisés Deus já sabia de tudo.

Só para mostrar que em momento algum Moisés mudou a mente de Deus, o profeta Isaías deixa bastante claro que nunca o homem pode guiar ou ensinar alguma coisa a Deus, nunca o homem pode surpreender a Deus em alguma coisa (Isaías 40.13-18; Gênesis 18.14), fica claro que nem Moisés ou qualquer outra pessoa, seja ela importante como for, pode mudar a mente de Deus com suas ideias e petições.

Esse texto do Livro de Êxodo procura apenas mostrar o que Deus iria fazer com o Seu povo, é claro que Deus poderia ter feito isso sem que fosse necessário informar a Moisés, mas Ele assim o fez para envolver Moisés e provocar nele um ato de petição e misericórdia, então, Deus responde a Moisés, diante de tudo aquilo que já lhe tinha falado. A oração de Moisés não mudou Deus, antes a sua petição estava de acordo com a vontade do Senhor, frente a tudo aquilo que Ele já tinha falado.

Mediante tudo o que foi dito acima alguém poderia perguntar: Qual é a importância da oração, para a vida do cristão? A oração é fundamental não para mudar a Deus, mas para mudar os seus servos, ela é o meio pelo qual o cristão é atraído e levado a estar no centro da vontade de Deus, quando o cristão entra em sintonia com a vontade de Deus ele passa então a fazer parte dos propósitos divinos, sua oração é para que a vontade de Deus se cumpra em sua vida; ele anseia pela presença de Deus (Salmo 42.2) e sabe que o Senhor tem Seus planos, que Ele tem uma vontade manifestada, e que alguns desses planos divinos só podem acontecer em sua vida à medida que busca em oração tudo isto.

Para que a vontade expressiva de Deus aconteça na vida do crente é necessário que ele esteja de acordo com a Sua vontade (Mateus 7.21); veja que em sua carta Tiago estava falando de vários tipos de pecados: hipocrisia, falsidade, ambição, essas práticas pecaminosas interrompiam a comunhão da igreja e a saúde espiritual de alguns de seus membros, para que eles fossem atendidos por Deus era preciso que eles confessassem os seus pecados e praticassem atos de justiça e vivessem em comunhão. Se eles procedessem dessa forma poderiam orar segundo a vontade de Deus, é nesse prisma que a oração do justo tem efeito. Tiago mostra que Elias era um homem normal, sujeito as mesmas fraquezas que qualquer ser humano é, mas por fazer a vontade de Deus suas orações eram ouvidas (Tiago 5.16, 17).

Orar faz a diferença, desde que você submeta tudo à vontade de Deus, não em algo que Ele vai estabelecer, nem que você pode mudar alguma coisa em Deus, a Sua vontade já está estabelecida, toda oração deve partir desse pressuposto, “Segundo a tua Vontade” (1 João 5.14). Era da vontade do Pai que seu Filho fosse morto por toda a humanidade, esse projeto foi feito desde a fundação do mundo, Jesus não poderia mudar isso nem alterar a vontade do Pai, por isso sua expressão foi: “Seja feita a tua vontade” (Lucas 22.42), Jesus cumpriu a vontade do Pai em tudo (João 5.30).

O Deus que a Bíblia menciona é grande, poderoso, soberano, e por Sua vontade Ele estabeleceu todos os Seus decretos, Seus planos são perfeitos não carecendo de mudanças, a Sua vontade se realiza na vida daquele que crer, que busca fazer a Sua vontade. Assim o cristão passa a fazer parte do projeto de Deus através da oração, é dessa forma que a oração exerce grande influência em sua vida.

Por, Osiel Gomes

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