Um estandarte para dois povos

Um estandarte para dois povosAdverte-nos a Palavra de Deus que não alteremos o texto bíblico nem mesmo em uma só letra. Diante desse alerta, com temor têm trabalhado copistas e tradutores, procurando fazer chegar às mãos dos leitores a fiel expressão da vontade manifesta do Pai em sua forma escrita. E que maravilhosa é tal mensagem, única em essência, variada em aspectos, múltipla em formas e imensurável em alcance, somente comparada à misericórdia que a provocou. A excelência da tarefa revela, ainda, a fragilidade humana diante do projeto, tanto de traduzir quanto de pregar. Somente a Eternidade revelará a recompensa reservada aos santos que nos antecederam e a nós abriram a porta linguística que nos conduziu aos tesouros da Bíblia.

Uma letra alterada, uma mudança de sentido e… Podemos chegar a um entendimento equivocado. Tratando-se da língua hebraica, em especial, um desvio pode levar a outras conclusões numa mesma sentença, transformando-a por completo. Terá sido o que ocorreu com o Salmo 60.4. Lá está escrito, guardadas as variantes permitidas pela tradução: “Deste um estandarte aos que te temem para o arvorarem pela causa da verdade”. Uma letra, apenas uma letra modificada, resultou na tradução que, infelizmente, encontramos em algumas edições, a saber: “Deste um estandarte aos que te temem para fugirem diante do arco do inimigo”. O sentido resulta oposto e fora de contexto. A coragem muda em temor, o avanço da fidelidade torna-se fuga.

A dois povos o Senhor entregou Seu estandarte: a Israel e à Igreja. Trato do Israel que, descarte o obscurecimento momentâneo, aguarda no Eterno e proclama Seu Nome; igualmente trato da Igreja viva, em suma, dos que temem ao único Deus. Quem assim confia não fugirá, mas erguerá constantemente o bastião da Verdade. Cumpre, então, perguntar: quem haverá de opor-se a ela?

Um mesmo inimigo rebela-se contra tudo o que a Palavra de Deus anuncia, pois inimigo é do próprio Deus. Assim, Israel e a Igreja têm igual opositor, cujas ações e intenções não estão ocultas, mas são claramente percebidas através da voz e das ações daqueles a quem influencia.

Quem rejeita o padrão moral das Escrituras opõe-se ao Autor delas. Quem subverte a santidade da família e propõe arranjos incriados como dignos da mesma honra afronta o Criador. Quem atenta contra a vida ainda informe, destruindo-a em seu nascedouro, quer por gestos, quer por ações que os legitimem, desperta a ira do Possuidor da vida, à quais concedeu os propósitos específicos que resultem em Sua glória e louvor. Quem rouba o pobre e desvia o dinheiro do necessitado, alimenta-se do pão da corrupção, ofende Aquele que é o Pai dos órfãos e Juiz de viúvas. Quem perverte o juízo atrai condenação para si.

As vozes que se levantam contra os valores bíblicos insurgem-se contra o Deus da Bíblia, por conseguinte pelejam contra Israel e contra a Igreja. Opor-se a ambos corresponde a opor-se ao Deus de ambos. Para os tais, é insuportável saber que existe um Criador, que é Sustentador de tudo e de todos, inclusive de suas próprias existências, e que Ele é o Senhor, a quem tudo e todos estão sujeitos, Redentor amoroso e também – ao menos a isso deveriam atentar – Juiz. Tal é a ‘insuportável’ Verdade. Tal é o imutável estandarte a nós entregue e que arvoremos, jamais fugindo dessa especial tarefa e honra.

Por, Sara Alice Cavalcante.

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