Quem ora e lê a Bíblia diariamente e frequenta cultos é mais maduro

Estudo inédito feito com milhares de evangélicos nos Estados Unidos destaca fatores que levam a um maior nível de maturidade espiritual do cristão

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Você já deve ter ouvido falar que os cristãos que oram e leem a Bíblia diariamente são os que mais demonstram maturidade cristã e crescimento espiritual, e também que os crentes que oram mais e são mais assíduos à igreja são os mais envolvidos em atividades cristãs durante a semana. Pois bem, essas verdades bíblicas e da experiência particular dos cristãos em suas congregações podem se aferidas e atestadas por um meticuloso estudo realizado neste ano (2012) com milhares de evangélicos nos Estados Unidos – o maior país evangélico do mundo (o segundo, estima-se, é a China, com milhões em suas igrejas clandestinas e subterrâneas, e o terceiro é o Brasil).

 Essa ampla pesquisa foi realizada pelo Life Way Research com o objetivo de investigar em que pé anda o discipulado – o fazer discípulos – no meio evangélico norte-americano e o nível de maturidade espiritual dos cristãos nos EUA. Porém, apesar de ser um retrato apenas dos evangélicos daquele país, algumas conclusões a que chegaram os pesquisadores são aplicáveis ao contexto evangélico no Brasil e em qualquer outro lugar, pois o levantamento destaca a importância do crente ler a Bíblia, orar e frequentar os cultos em sua igreja como fatores determinantes da saúde espiritual, o que, aliás, corrobora com aquilo que afirma a Bíblia Sagrada sobre a qualidade da vida espiritual do cristão.

Claro que, à luz da Bíblia, a saúde da vida espiritual do crente depende também de outros fatores, mas é inegável que aqueles apresentados no referido estudo são imprescindíveis para a vida do cristão.

Quem costuma ler a Bíblia tende mais a obedecê-la

Dentro desse amplo estudo da entidade norte-americana, um dos resultados que chamaram mais a atenção foi o divulgado em 6 de setembro e relativa à importância de se ler a Bíblia. Ao todo, foram entrevistados mais 2,9 mil evangélicos de todos os EUA.

Em primeiro lugar, o levantamento demonstra que, infelizmente, apenas 19% dos evangélicos daquele país leem a Bíblia diariamente. E em segundo lugar, ele também revelou que os níveis mais elevados de engajamento na leitura da Bíblia estão relacionados à maturidade e ao crescimento da vida do cristão.

Pelo menos seis ações foram identificadas pelos pesquisadores como comuns na vida dos entrevistados que liam a Bíblia diariamente. Segundo o censo, quem lê constantemente a Bíblia costuma confessar todos os dias os seus pecados a Deus pedindo o Seu perdão; também crê firmemente em Jesus Cristo como único e suficiente caminho para o Céu; é mais decidido a obedecer e seguir a Deus, bem como é mais consciente da importância das suas escolhas diante de Deus; ora pelo estado espiritual de outras pessoas que conhece e não são cristãos professos; lê livros relacionados ao avanço do seu crescimento espiritual (61% dos que leem a Bíblia diariamente afirmam isso); e se deixam ser mentorizados por cristãos mais maduros espiritualmente (47%).

Ao todo, 19% responderam ler a Bíblia “todos os dias”; 26% dizem que fazem isso “algumas vezes por semana”; 14% dizem que leem a Bíblia “uma vez por semana”; 22% dizem que “uma vez por mês” ou “algumas vezes no mês”; e 18% dizem que “raramente” ou “nunca”. Além disso, 90% dos que costumam ler a Bíblia diariamente afirmam procurar constantemente “agradar e honrar a Jesus em tudo o que fazem”, e 59% declara que, durante o dia, pensam em algum momento sobre as verdades bíblicas além do momento em que estão lendo a Bíblia.

Segundo a entidade norte-americana que fez o estudo, a pesquisa mostra que a maturidade do cristão e o nível de obediência dos mandamentos bíblicos “estão relacionados ao envolvimento com a leitura da Bíblia”. Ou seja, quem costuma ler a Bíblia tende mais a obediência e a ter uma vida cristã mais amadurecida desenvolvida. O estudo acrescentou ainda que os dados mostram que “a leitura da Bíblia causa impacto em praticamente todas as áreas de crescimento espiritual. Você pode seguir a Cristo e ver o cristianismo como fonte da verdade, mas se essa verdade não permeia seus pensamentos, aspirações e ações, você não está totalmente envolvido com a verdade. A Palavra de Deus é a verdade, por isso ler e estudar a Bíblia ainda são as atividades que têm o maior impacto sobre a maturidade espiritual. Você simplesmente não vai crescer na fé se conhecer a Deus e passar tempo coma Sua Palavra”.

Diante desses dados, preocupa ainda mais o resultado de uma pesquisa realizada há cerca de dois anos no Brasil, pela Abba Press e a Sociedade Bíblica Ibero-Americana, que entrevistaram 1.255 pastores de várias denominações evangélicas do Brasil. O levantamento demonstrou que 50,68% dos pastores e líderes evangélicos em nosso país nunca leram a Bíblia Sagrada por inteiro pelo menos uma vez, e que a principal desculpa alegada é, por incrível que pareça, “falta de tempo”.

Urge perguntar: Se pelo menos metade daqueles cuja principal atividade é pregar e ensinar a Palavra de Deus não costuma ler a Bíblia Sagrada, o que dizer das ovelhas? Se aqueles que são responsáveis por orientar biblicamente milhões de crentes no país não se interessam pela Bíblia, o que dizer das ovelhas? Se a própria Bíblia destaca a importância da leitura devocional das Sagradas Escrituras para o cristão, e estudos e a experiência pessoal de cada crente também têm provado a importância disso, o que pensar, então, de líderes que simplesmente não leem a Bíblia? Será que isso não tem muito a nos dizer sobre a saúde espiritual da igreja evangélica brasileira? Será que essa é a razão de tantos erros doutrinários se propagarem com facilidade em nossos dias, já que essa pesquisa mostra que quem lê a Bíblia com frequência se sente impedido de estudar e entender mais as suas verdades?

A Bíblia não deve ser lida apenas pela obrigação de se preparar um sermão.

Como disse o salmista: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará” (Salmo 1.1-3). Ou como disse Deus a Josué: “Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele de dia e de noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido” (Josué 1.8).

Importância da oração

Uma pesquisa de 2009 conduzida pelo Pew Research Center’s Fórum on Religion & Public Faith nos EUA mostrou que 79% dos evangélicos oram pelo menos uma vez ao dia. No Brasil, desconhecemos alguma pesquisa desse tipo já realizada em âmbito nacional, mas acreditamos que, uma vez feita, o resultado não seria diferente. Entretanto, o ruim dessas pesquisas é que elas nunca perguntam quanto tempo cada cristão gasta em média, por dia ou semanalmente, em oração. Com certeza, essa informação seria muito mais importante e útil para se avaliar a qualidade da vida espiritual dos evangélicos em nossos dias.

Apesar de não termos esses dados preciosos, uma vez que sabemos que apenas 19% dos evangélicos costumam ler a Bíblia diariamente, não é difícil imaginar que provavelmente a mesma porcentagem de crentes realmente desenvolvem uma vida de oração, o que nos leva a pensar: O que seria dos evangélicos se realmente vivessem, em sua esmagadora maioria, uma vida de oração?

Um dado concreto relacionado à oração nessa pesquisa de 2012 ao qual nos referimos nos dá um vislumbre disso. Trata-se do levantamento relativo à prática da evangelização na vida do cristão, que estaria associada diretamente à prática da oração.

Evangelizar: prática de quem ora e vai à igreja

Infelizmente, é grande o número de crentes que não compartilham o amor de Cristo com os não-cristãos, de acordo com uma das pesquisas desse amplo estudo realizado em igrejas dos Estados Unidos. A referida pesquisa nos EUA descobriu que 61% dos evangélicos norte-americanos afirmam que, nos últimos seis meses, não levaram a mensagem do Evangelho a uma outra pessoa. E ela revelou ainda que nada menos que 80% daqueles que frequentam a igreja todas as semanas ou pelo menos uma vez ao mês sentem a responsabilidade pessoal de compartilhar a sua fé em Cristo com alguém e procurar sempre evangelizar colegas não-crentes.

O estudo listou oito atributos bíblicos evidentes na vida do cristão e os comparou com o resultado das pesquisas. Desses oito, “Partilhar Cristo” foi o que teve a menor pontuação entre os evangélicos nos EUA. A pesquisa mostra que apenas 25% dos fiéis dizem que se sentem confortáveis em sua capacidade para comunicar eficazmente o Evangelho, enquanto 12% declaram que não se sentem confortáveis contando aos outros sobre sua fé.

Apesar de uma grande maioria acreditar que é seu dever partilhar a sua fé e ter confiança para fazer isso, 25% dos entrevistados dizem ter partilhado a sua fé apenas uma vez ou duas vezes, e 14% têm compartilhado três ou mais vezes nos últimos seis meses.

A pesquisa também perguntou quantas vezes cada indivíduo “convidou uma pessoa sem igreja para assistir a um culto ou algum outro programa em sua igreja”. Quase metade (48%) dos entrevistados respondeu: “Nenhuma”. Ao todo, 33% das pessoas disseram ter convidado pessoalmente alguém uma ou duas vezes, e 19% disseram ter feito em três ou mais vezes nos últimos seis meses.

Outro dado interessante também chama a atenção. “Muitas vezes temos percebido que os cristãos novos são mais ativos em compartilhar sua fé”, afirma o estudo. “Na realidade, as pessoas que têm mais tempo de fé não tem se mostrado mais dedicadas em compartilhar o amor de Cristo, enquanto os novos cristãos são mais naturais para partilhar a sua nova experiência”, conclui.

Ainda de acordo com Stetzer, “orar com mais frequência por pessoas que não são cristãs professas tem se mostrado o melhor indicador de mais maturidade espiritual no compartilhamento de Cristo às pessoas”. Ou seja, segundo a pesquisa, além da frequência à igreja demonstrar mais envolvimento com evangelismo, cristãos que costumam sempre orar pela conversão dos perdidos são mais propensos a evangelizarem.

No estudo, 21% dos fieis dizem que fora da igreja fazem orações diárias por pessoas que conhecem e que não são cristãs professas, e 26% dizem que oram algumas vezes por semana nesse sentido. Um quinto (20%) dizem que raramente ou nunca oram para que amigos e familiares não cristãos aceitem Cristo como Salvador.

“Orar pelos outros é uma ótima maneira de começar. Reconhecemos a importância da oração em pessoas que chegam à fé em Cristo, mas agora também descobrimos que ela tem um impacto sobre o orante”, disse Stetzer.

Como recomendam as Escrituras, “Orai sem cessar” (1 Tessalonicenses 5.17). E lembremo-nos da promessa divina: “E se o meu povo, que se chama pelo meu nome se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (2 Crônicas 7.14).

Por, Mensageiro da Paz

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