As torres e os altares que erguemos

As torres e os altares que erguemosAs construções de torres e outros tipos de edificações sempre exerceram grande fascínio sobre os homens. Já a edificação de altares não foi muito bem recebida, mesmo por alguns servos de Deus. A definição de torre e altar no contexto bíblico apresenta a seguinte configuração. Torre: uma construção estreita e alta, com uma guarita para o guarda. Era usada para vigiar plantações (Isaías 5.2), criações ( 2 Crônicas 2.10) e ainda defender as cidades de possíveis invasores (Neemias 3.1). Altar: era uma espécie de mesa feita de madeira ou de pedra sobre a qual se ofereciam os sacrifícios de adoração ao Deus verdadeiro (Êxodo 27.1; 20.14; Deuteronômio 27.5).

A história humana apresentou em todo seu percurso o enorme desejo do homem de construir torres. Essa inclinação do ser humano demonstra a busca por glórias e por deixar o seu nome gravado em placas de grande monumentos. Foi assim na terra de Sinear quando afirmaram os idealizadores da torre de Babel: “E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus e façamo-nos um nome…” (Gênesis 11.4). Essa foi a primeira construção de grande envergadura na história da humanidade.

A partir de então o homem cultivou em seu coração o ambicioso desejo de edificar cada vez mais, grandes construções com o vaidoso objetivo de deixar a sua marca, o seu nome cravado nos anais da história. Foram então, surgindo os famosos “arranha céus”. Vejamos alguns dos grandes edifícios da história humana e as suas respectivas alturas: Torre de Babel na terra de Sinear na antiga Mesopotâmia (90m); A Grande Pirâmide – Cairo no Egito (147m); Torre Eiffel – Paris na França (300m); World Trade Center em Nova York nos EUA (417m).

Percebemos que desde a primeira torre construída pelo homem, ou seja, a Torre de Babel, até a mais recente, houve um grande avanço nas técnicas de construção e padrões arquitetônicos, levando o homem a erguer torres cada vez mais altas. Isso causou grande orgulho e vaidade em homens e povos, pois a soberba humana estava estampada na imponência dessas magníficas construções. Uma prova clara dessa afirmativa é o símbolo do poder e glória das torres gêmeas do World Trade Center no EUA, orgulho dos americanos. Elas tombaram e deixaram bastante evidente que a glória pertence a Deus (Isaías 42.8).

Ao contrário do que imagina a realiza o homem, Deus ordena em Sua Soberana Palavra que construamos altares de adoração a Ele (Gênesis 35.1). Porque Deus manda construir altares e não torres? Na torre o nome do homem é glorificado, enquanto que no altar o nome do Altíssimo é alvo de toda a honra, glória e louvor. Foi assim com Noé (Gênesis 8.20), Abraão (Gênesis 12.7 e 8), Jacó (Gênesis 35.1-7) e tantos outros citados no Texto Sagrado. O Senhor Deus adverte ao homem para que este evite qualquer tipo de atitude de glorificação pessoal: “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas. Mas o que se gloriar glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra” (Jeremias 9.23, 24).

O altar aponta para a nossa vida espiritual. Indica uma estreiteza de comunhão com Deus. É nele que oferecemos os nossos sacrifícios de adoração ao Altíssimo. Como eram os altares no contexto bíblico? Nos tempos dos patriarcas o altar era feito de pedra. Ali o crente apresentava a sua oferta a Deus, imolando a vítima (animal) e o Senhor respondia àquele ato de adoração, mediante uma manifestação positiva (Gênesis 22.13-18). Já na Nova Aliança, na vigência de um novo concerto, o sacrifício não é mais sobre um altar de pedra, mas, sim no altar da nossa vida espiritual, em nosso coração conforme escreve o autor da epístola aos Hebreus: “Portanto, ofereçamos sempre, por ele, a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hebreus 13.15). O crente necessita ter grande cuidado com o seu altar de adoração a Deus, no sentido de mantê-lo sempre em ordem (1 Reis 18.30-32).

Torre ou altar? Qual você está edificando em sua vida diária? Está satisfazendo à vontade de Deus e edificando o seu altar espiritual a cada dia? Ou simplesmente constrói torres para massagear o seu ego sedento de glórias humanas? Existem crentes e até mesmo pastores edificando cada vez mais torres e esquecendo o altar de sua vida espiritual. Isto representa grande perigo para a vida que nos propomos apresentar diante de Deus. Portanto, devemos nos preocupar com a edificação do altar de nossa vida espiritual e não com as torres do cotidiano da vida material.

Por, Raimundo Leal Neto.

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