Missões: desafios ontem e hoje

A missão do cristão na proclamação do Rei e da instalação do Reino de Deus

Missões - desafios ontem e hojeJá estamos na segunda década do século XXI. E mesmo após 2.000 anos de história do cristianismo o tema “Missões” ainda é debatido e estudado em congressos, faculdades teológicas e igrejas. A audiência do tema é justificável. A prática missionária é contextual e por isso precisa ser avaliada e reformulada conforme as necessidades (as quais variam de acordo com o local e com a época).

Diversas teorias, técnicas e metodologias de ação missionária são desenvolvidas dia dia (O que é muito enriquecedor para a igreja). Porém, é necessário refletirmos primeiramente nas Escrituras e na ação do Mestre.

O texto bíblico de Mateus 10 apresenta uma narrativa muito peculiar sobre o comissionamento dos doze discípulos.

Jesus os chama para si e concede autoridade espiritual sobre os espíritos malignos e sobre as enfermidades. Dá a eles instruções específicas e os envia.

Nesta passagem podemos aprender ao menos cinco conceitos sobre a práxis missionária de Cristo e de seus discípulos.

1. a Missão é dEle (v. 1, 5) – É enganoso pensar que a missão é uma responsabilidade exclusivamente humana. Ao contrário, a nossa prática missionária é apenas uma extensão da prática de Jesus. Isso porque, a obra de salvação, de resgate, de reconciliação do ser humano com Deus é algo promovido por Ele mesmo. Deus é o primeiro e o maior “missionário” Vemos a ação redentora de Deus como os seres humanos tanto no Antigo Testamento (através do estabelecimento de processos e sacrifícios na Lei Mosaica que visavam o perdão e a purificação dos pecadores individuais e da comunidade), como no Novo Testamento (mediante ao sacrifício vicário de Cristo por todos os homens). Paulo aborda este tema da obra de reconciliação em 2  Coríntios 5.18-20 e destaca que nós somos chamados para sermos cooperadores desta missão.  Quando passamos a anunciar a mensagem de reconciliação nos tornamos verdadeiros embaixadores de Cristo.

2. A missão é algo que se realiza sozinho (vv. 1-4) – É triste quando observamos igrejas (ou núcleos cristãos) apregoando que vão alcançar todo o mundo, com esforços individuais. Infelizmente muitos líderes de instituições cristãs projetam em si mesmos um imagem messiânica. Eles visam um crescimento global de sua instituição, através de uma avalanche de filiações. Seja través de metodologias, de recursos tecnológicos ou do uso do marketing profissional. Mas, na realidade a missão não é algo que se realiza sozinho. O próprio Jesus destacou a grandeza da Seara e nos ensinou a pedir a Deus, humildemente, cooperadores (Mateus 9.37-38). No comissionamento de Mateus 10, Jesus enviou os doze discípulos. Ele não fez uma seleção dos melhores e mais eficazes. Ele enviou a todos (com suas qualidades e defeitos), como uma equipe, como um corpo. Talvez o maior desafio que a Igreja de Cristo tenha à sua frente, para vencer as dificuldades da ação missionária no presente século, tão marcado pelo empreendedorismo individual, seja de fato redescobrir o poder da unidade e da ação coletiva.

3. A missão precisa começar dentro de casa (vv. 5-6) – Naquele tempo, Jesus enviou os Seus discípulos exclusivamente “as ovelhas perdidas de Israel”. Após, nós já sabemos que a missão de ser testemunha de Cristo passou a ter um caráter global (cf. Atos 1.8). Com isso entendemos que a ação missional precisa começar no local onde estamos plantados. Isto é, em nossa família, em nosso ambiente de trabalho, em nossos relacionamentos de amizade, na cidade ou região em que vivemos. É comum associarmos a ideia de “missões” à experiências transculturais. Entretanto, onde houver uma vida que não conhece a Cristo como Senhor e Salvador, aí está o campo missionário.

4. Fazer missões é anunciar a mensagem do Reino (v. 7) – Divulgar congressos, eventos, pregadores, programações, doutrinas, frases celebres de personalidades gospel não é fazer missões. A prática missionária pressupõe o anúncio do Reino de Deus, das boas novas do Evangelho, do perdão e da Graça de Deus (Romanos 5.6-11). Nas últimas décadas o sucesso dos empreendimentos missionários (locais, urbanos e/ou transculturais) tem sido comprometido, porque se limitam à divulgação de uma igreja ou de uma denominação, ao invés do anuncio da Mensagem do Reino de Deus (João 3.16).

5. A prática missionária é socialmente impactante (v. 8) – Jesus dá aos seus discípulos autoridade para ministrarem cura e liberdade juntamente com o anúncio da Mensagem. Mateus destaca especialmente a cura dos leprosos. Doença que gerava isolamento ao infectado, o qual após curado precisa se apresentar ao sacerdote. Gerando, assim, testemunho vívido da ação de Deus na inclusão social. – Visto que àquele que era enfermo agora poderia retornar ao convívio familiar. Paulo também destaca a importância da pregação do Evangelho ser acompanhada por demonstrações vivas do Poder de Deus (1 Coríntios 2.4-5), que de fato gera mudança de vida nas pessoas alcançadas (2 Coríntios 5.17). Sabemos que o Reino de Deus está crescendo em um lugar quando há verdadeiramente transformação de vidas, o que refletirá em mudanças na sociedade com, por exemplo, redução do índice de criminalidade, de corrupção, de consumo de drogas, etc.

A reflexão no texto de Mateus 10 nos comunica três verdades-práticas sobre a ação missionária em nosso tempo.

1ª) A missão ainda não acabou – Apesar do explosivo crescimento dos evangélicos especialmente no Brasil, da liberdade de pregação, dos inúmeros recursos tecnológicos disponíveis e da larga presença do cristianismo ainda há muito que se fazer. É preciso anunciar o Evangelho todo, e não parte dele, à todas as pessoas. Há povos não alcançados tanto do outro lado do mundo, como ao nosso lado, na vizinhança, na condução, no shopping que frequentamos. Enquanto Cristo não volta, nós, como Igreja, somos chamados para sermos relevantes neste mundo. Temos trabalho a fazer!

2ª) Todos são chamados para participarem como testemunhas – Ser missionário (agente participante da missão de Deus), no sentido bíblico, nada mais é do que ser testemunha de Cristo (Lucas 24.44-48; Atos 1.8). Testemunhar a Cristo é algo simples. Basta dizer o que sabemos, o que ouvimos dEle e o que Ele já fez em nossas vidas. O testemunho pessoal é em si mesmo uma grande pregação, que gera fé e salvação na vida de outras pessoas (Romanos 10.17).

3ª A mensagem do Reino é revolucionária – Não há mensagem mais poderosa e transformadora do que o Evangelho de Cristo. A verdade anunciada por Jesus é poderosa para promover vida, libertação e uma nova consciência (João 8.32). Nós precisamos anunciar este Evangelho, que dissipa o poder das trevas, que quebra algemas do maligno, que liberta almas e restaura famílias!

Por, Flavianne Vaz.

Uma resposta para Missões: desafios ontem e hoje

  1. Levy Castro disse:

    Boa a sua reflexão, mas gostaria de tecer alguns comentários:
    1. A missão é dele, mas também é nossa: Eu tenho que assumir esta responsabilidade.
    2. Deus faz a parte dele, mas eu tenho que fazer a minha. Para isso fui comissionado. Sou um agente do Reino, um instrumento do Reino, não um mero expectador. Ele também não envia qualquer um, mas os que Ele chama.
    3. A missão da Igreja é glorificar a Deus, e tornar Cristo conhecido. Tem uma ideia global. O problema de pensar que missões se começa dentro de casa (que não deixa de ser verdade), é que cria nas pessoas um certo comodismo. Aquela falsa ideia de que é “primeiro” em Jerusalém. A Bíblia fala que a tarefa é simultânea, ou seja, aqui e lá.
    4.Verdade, muitas Igrejas pensam que realizar congressos ou participar dos mesmos é fazer missões. Também ter missionários que só trabalham nas creches da Igreja ou congregações não é missão. Parece que não se tem entendimento da diferença entre evangelismo e missões.
    Infelizmente a Igreja Brasileira tem perdido o foco de povos não alcançados, deixando de fazer diferença onde Cristo ainda não é conhecido. Muitos tem ouvido muitas vezes, sem nem interesse na mensagem, mas a maioria que nunca ouviu falar de Jesus (povos não alcançados) não ouviram nem uma vez.
    Talvez estejamos falando a mesmo coisa. Estas observações não tem o intuito de ser nenhuma crítica.
    Deus abençoe sua vida.
    Levy Castro
    A serviço do Corpo de Cristo em Izmir, na Turquia, desde 1998.

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