A teologia da gratidão

A teologia da gratidão“Experimente agradecer”. Guardei no coração e na mente a expressão citada, quando o pastor Juceli Rocha em uma reunião de obreiros a citou com o interesse de que fossemos mais gratos. Desde aquele dia tentei e tento evidenciar a prática da gratidão tanto na minha vida familiar como na ministerial. Na verdade, a gratidão tem deixado de existir na vida de vários seguidores de Cristo, infelizmente. O salmista recomendou no Salmo 110.4: “Entrai pelas portas dele com gratidão…”. Devemos nos policiar para averiguar se estamos colocando em prática a gratidão. É claro que a gratidão deve ser gerada em relacionamentos na igreja, em casa, no trabalho, na escola etc. Todavia, qual é o motivo de agradecimento que temos para hoje? Você tem um coração grato a Deus e ao próximo?

Precisamos aprender a agradecer a Deus por tudo que Ele faz em nossas vidas, das menores as maiores coisas. Precisamos agradecer aos nossos líderes pela dedicação exposta às nossas vidas. Precisamos agradecer aos nossos genitores pelo carinho, proteção e cuidado ofertados. E, sejamos sinceros, quantas vezes não sabemos reconhecer o que eles fazem por nós? Sabe uma das razões pelas quais devemos nos exercitar em agradecer? Por termos nas Escrituras Sagradas, como um dos vários sinais dos últimos dias, o sinal da ingratidão – “SABE, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens ingratos…” (2 Timóteo 3.1, 2, destaque meu).

Precisamos vigiar para não sermos atingidos por esse mal chamado ingratidão. Reconheça! Reconheça e reconheça as coisas que tem lhe vindo à vida e não se esqueça ter um coração agradecido. Não importa se são coisas materiais ou espirituais. Reconheça. Aprenda a ser grato. Pastores, reaprendamos ou aprendamos a agradecer aos liderados sob nossa liderança quando fazem algo que, mesmo aos olhos deles, seja insignificante. Eles vão ficar boquiabertos com a nossa atitude! Mas, não deixemos de praticar a gratidão.

O Moderno Dicionário da Língua Portuguesa Michaelis conceitua gratidão como “Qualidade de quem é grato. Agradecimento, reconhecimento”. O vocábulo gratidão derivado Latim Gratus, que significa tanto “agradável” como “agradecido”, e é de uma base Indoeuropeia Gwer-, que quer dizer “elogiar, dar as boas-vindas”. Desejo expor aqui minha intenção de despertar no coração e na mente dos leitores a necessidade de vivenciarem novamente o espírito de gratidão. Temos perdido muitas coisas pela falta dela. O melhor é reconquistarmos o que já se perdeu e ganhar o que ainda não chegou. William Shakespeare disse que a gratidão é o único tesouro dos humildes.

Observemos alguns exemplos de razões pelos quais devemos agradecer: o alimento e as necessidades da vida supridas na medida do possível, a família, a saúde, a proteção divina, as vitórias, os livramentos, a Salvação em Jesus, os irmãos que oram e se preocupam conosco, a maneira como Deus nos usa para divulgar a Palavra.

Encontramos nas páginas sagradas exemplos de pessoas que experimentaram agradecer, como Jonas (“Mas eu te oferecerei sacrifício com a voz do agradecimento; o que votei pagarei. Do SENHOR vem a salvação” (Jonas 2.9); Ana, que agradeceu por meio do louvor o nascimento de seu filho Samuel; Davi (“Que darei eu ao SENHOR, por todos os benefícios que me tem feito” (Salmos 116.12); e Paulo, que ensinou aos cristãos em Colossos a serem gratos (“…e sede agradecidos…”) (Colossenses 3.15). Acerca de Áquila e Priscila, disse: “Os quais pela minha vida expuseram as suas cabeças; o que não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios” (Romanos 16.4). No tocante a Félix, afirmou: “Sempre e em todo lugar, ó potentíssimo Félix, com todo o agradecimento o queremos reconhecer” (Atos 24.3).

Observamos três coisas que a Escritura Sagrada fala sobre a gratidão e que analisaremos em poucas linhas. Em primeiro lugar, somos admoestados a agradecer. Paulo afirma em 1 Timóteo 2.1: “ADMOESTO-TE, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens” (o destaque é meu). O vocábulo admoestar significa advertir. Olhemos que no início da Igreja já havia a necessidade de externar na mente e no coração do povo de Deus a questão da gratidão (“ações de graças”). Ora, já havia no meio do povo indivíduos que não queriam saber de exercerem o agradecimento. É o que se entende com a advertência de Paulo a Timóteo.

Em segundo lugar, devemos dar graças a Deus em tudo, conforme 1 Tessalonicenses 5.18: “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para conosco”. O hinário da Assembleia de Deus no Brasil, a Harpa Cristã, tem em seu repertório um hino (nº 597) que expressa o sentimento de gratidão diante de várias situações, o qual deixo transcrito aqui:

Graças dou por esta vida: pelo bem que revelou. / Graças dou pelo futuro e por tudo que passou. / Pelas bênçãos derramadas, pela dor, pela aflição. / Pela graça revelada! – graças dou pelo perdão.

Graças pelo azul celeste e por nuvens que há também, / Pelas rosas do caminho, por espinhos que elas têm, / Pela escuridão da noite, pela estrela que brilhou, / Pela prece respondida, pelo sonho que falhou.

Pela cruz e o sofrimento e por toda provação, / Pelo amor que é sem medida, pela paz no coração, / Pela lágrima vertida, pelo alívio que é sem par. / Pelo dom da eterna vida, sempre graças hei de dar!

Ainda julgo necessário mencionar a letra do hino Gratidão da cantora Eliã Oliveira, que aborda o tema em análise:

Faltam palavras para expressar minha gratidão./ Por tudo que o meu Deus tem feito por mim. / Não há ninguém que possa enumerar as muitas bênçãos. / Que o meu Deus nos dá e quantas vezes mesmo sem percebermos.

O anjo desce, o livramento ele nos dá. / A cada instante dessa vida Ele vela por nós, nos protegendo do inimigo atroz. / Por isso hoje a minha voz eu levanto a Deus em gratidão pelas vitórias que me deu.

Foi tão difícil o caminho que eu passei, mais em seus braços o Jordão atravessei / Sua companhia me dá paz e segurança mesmo entre as ondas em ti tenho confiança. / Tu é o amigo que estás pronto a me ajudar, / A tua voz faz o mar se aquietar.

Passei momentos de tremenda provação e até pensei não haver mais solução. / Lágrimas quentes a minha face banhava e em silêncio por Jesus eu sussurrava. / E meu Jesus sereno e mansinho se aproximou e me disse com carinho ‘Não chores mais’. / Por que agora eu cheguei com providência, pois tua voz Eu escutei.

Em terceiro lugar, devemos abundar (crescer) em ação de graças. O apóstolo dos gentios, Paulo, escreveu aos cristãos que estavam em Colossos: “Arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em ação de graças” (Colossenses 2.7). O Moderno Dicionário da Língua Portuguesa Michaelis conceitua o vocábulo abundar como: “Ter grande quantidade de; haver em abundância”. É exatamente isso que precisamos a cada dia: ter abundância ou grande quantidade de gratidão. Se existisse um equipamento espiritual para medir a quantidade de gratidão em nosso coração, qual seria o nível que apontaria para nós?

A gratidão é como uma semente que precisa de uma boa terra (coração) para ser desenvolvida. O desenvolvimento dela depende da prática constante. Não adianta fazer hoje e depois só no final de ano. É necessário ter uma disposição firme e constante, à semelhança de um agricultor que zela pela sua plantação desde o preparo da terra até a colheita. E o ciclo continua colheita após colheita.

Que o bom Deus nos ajude a colocar em evidência a gratidão diante dEle, dos genitores, da igreja, dos amigos, enfim, diante de todos que precisarem ouvir um “Muito obrigado!” da nossa parte. Para a prática da gratidão não tem grande (pois há alguns que se acham assim) ou pequeno: ela cabe a todos. Se você não tem por hábito agradecer, experimente agradecer e verá os resultados maravilhosos que essa prática proporciona!

Por, Silvio Vinicius Martins.

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