O Reino e a Grande Comissão

A missão do cristão na proclamação do Rei e da instalação do Reino de Deus

O Reino e a Grande ComissãoAs passagens que se referem à Grande Comissão e que fecham cada Evangelho são a conclusão lógica dos dois motivos do reino e das nações (Mateus 28.18-20; Marcos 16.15-18; Lucas 24.46-49 junto com Atos 1.8; João 20.21). Como Isaías tinha profetizado, a restauração do reino davídico culminaria num dia em que o Reino seria estendido aos gentios. A era “apenas dos judeus” do Reino não seria capaz de conter a glória daquele dia maior (Isaías 49.6).

As passagens sobre a comissão concordam com a ideia de reino/nações da seguinte forma: primeiro, a comissão é dada com base na autoridade (do grego exousia) de Cristo, uma referência real. É o Cristo ressuscitado que estava cheio de autoridade real e assim operou rapidamente para incluir todo o seu império – “todas as nações” de Mateus 28.19. Todos os alvos do reino de Cristo precisam receber o anúncio real do Evangelho (Marcos 16.15); a palavra “pregai” em Marcos 16.15 pode ser usada como referência à proclamação de um rei. E mais, “todas as nações” precisam ser discipuladas, ensinadas ao observar todas as regras do reino, “todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mateus 28.19, 20; conferir Mateus 5 a 7). O batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mateus 28.19) implica tanto na missão do Deus triuno quanto na compreensão daquela missão da parte daqueles que fossem batizados. Todos aqueles que forem às nações como embaixadores do Rei devem primeiro receber o poder  do próprio Espírito do Rei (Lucas 24.49; Atos 1.8).

Talvez João tenha registrado o mais compreensível significado da comissão com relação ao Reino: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós (João 20.21). O Pai tinha enviado Jesus como o divino Filho de Davi para levar o Reino de Deus para a terra. Nessa declaração de apostolo transferido, Jesus coloca a missão de seu reino sob incumbência de seus apóstolos. Assim como Jesus terminou sua missão de morrer pelos pecados do mundo, a Igreja é considerada a terminar sua missão de fazer discípulos de todas as nações. Assim como Jesus operou no poder do Espírito Santo, os discípulos devem operar no mesmo poder. Assim como Jesus representou a vontade de seu Pai com atos de compaixão e atenção pelos oprimidos, a Igreja precisa ser caracterizada por tais atos. Assim como Jesus preparou a Igreja para o testemunho mundial através de declarações escatológicas, a Igreja precisa usar esses discursos proféticos para se mobilizar de modo a cumprir o testemunho de Cristo por toda a terra. Assim como Jesus demonstrou as estruturas poderosas de seu dia ao chamar e dar poder a simples pecadores, transformando-os em apóstolos, a Igreja precisa reter a simples confiança no poder de Deus entre pessoas comuns para concluir tudo o que Deus deseja.

Se a comissão de Cristo não se estendesse a todas as nações de gentios, então Ele seria mais uma espécie de chefe tribal do que um rei. É a essência do Reino de Deus que ele seja mundial. O empreendimento de Satanás para ser como Deus levou a essa tentativa constante de ganhar reconhecimento de seu próprio reino; esse foi aparentemente um de seus objetivos ao tentar Jesus. Trazer pessoas de todas as nações para servir a Cristo tira do suposto reino de Satanás até mesmo sua pretensa legitimidade. Qualquer subtração de crentes entre todos os povos é a redução da natureza essencial do reino de Cristo ao nível de uma falsificação. Para que o Reino seja Reino ele precisa ser composto de todas as nações. Quando Jesus, então ressurreto, declarou que toda autoridade Lhe fora dada, Ele estava anunciando para seus seguidores que havia chegado o tempo de chamar todos os grupos de pessoas para o seu legítimo reino herdado (Mateus 28.18; conferir também Salmos 2.8).

Mais uma observação: já foi destacado que a Grande Comissão de João está em 20.21: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós”. Este versículo deveria ser lido como uma continuação de 17.4: “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer”. Uma vez que a Igreja é enviada como Jesus foi, e Jesus completou sua tarefa ao percorrer todo o caminho até a cruz, a Igreja precisa terminar a obra que lhe foi confiada de pregar o Evangelho a todo o mundo. Como poderia ser de outro modo?

Ensinamento

Os ensinos éticos e morais de Jesus deveriam ser vistos de igual modo no contexto de seu reino. Esses ensinamentos convidam as nações a vir ao Reino de Jesus e encontrar descanso, proteção e objetivos. Os ciclos infinitos de medo e manipulação comum aos gentios se mantêm em contraste com a simples vida de fé e honestidade ensinada por Jesus. Os ensinamentos de Cristo representam o cumprimento da Lei do Antigo Testamento e a perfeição da sabedoria do Antigo Testamento. Se a comunidade da aliança do Antigo Testamento vivia muito melhor que seus vizinhos, quão maior é a diferença agora entre aqueles cujas vidas refletem verdadeiramente o reino de Cristo daqueles cujas vidas tragicamente perderam a sua direção. Essa diferença serve para validar o Evangelho proclamado pela Igreja.

Profecia

As porções proféticas são do mesmo modo dadas como declarações da grandeza e do poder futuros do Reino. Uma vez que o Rei irá reinar sobre todas as nações, aqueles que se rebelarem deveriam rapidamente se render ao divino Rei e se tornarem servos leais. De outro modo serão expulsos de seu reino (Mateus 13.41).

Deve ser notado que Jesus faz uma forte correlação entre a realização bem-sucedida de sua missão junto a todas as nações e a chegada do fim. Mateus 24.14 diz: “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim”. Marcos 13.10 apresenta o mesmo pensamento: “Mas importa que o evangelho seja primeiramente pregado entre todas as nações”.

Uma nota que pode ser esclarecedora sobre Mateus 24.14 aparece na Bíblia americana Full Life Study Bible: “Apenas Deus saberá quando essa tarefa terá sido cumprida de acordo com seu propósito. A tarefa dos crentes é de contínua e fielmente pregar a todas as nações até que o Senhor retorne para sua Igreja para o céu… Nós precisamos viver numa tensão entre a iminência da vinda de Cristo e o fato de que Ele nos mandou pregar o Evangelho.1

Grupos de povos não-alcançados indicam algo incompleto e não “o fim” (do grego telos, “consumação”) para o qual o Reino caminha. A igreja deveria procurar remover todas as imperfeições para que o destino do Reino seja alcançado. Ela não tem escolha a não ser continuar a associar, como Jesus fez, a expansão geográfica e étnica da pregação do Evangelho com o cumprimento de sua tarefa (Mateus 24.14).

Aqueles que têm um desejo santo pela instauração do Reino de Cristo são motivados a honrar seu Rei por estender seu presente governo aos mais remotos e resistentes locais da terra. Profecias como as de Jesus servem como anúncio de que a missão será completada com sucesso. Isso motiva seus seguidores a se oferecerem de boa vontade para a obra de Cristo, de modo a cumprir sua missão. Segundo a visão global de Jesus, missões e escatologia estão intimamente relacionadas.

Nota

1 – Donald C. Stamps, ed., The Full Life Study Bible (Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1992), 1454.

Por, John V. York.

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