Se não avaliamos consequências, tudo pode fugir do controle

Se não avaliamos consequências, tudo pode fugir do controleAo lermos o texto de Ester 3.2-4, vemos o registro de que todos os servos do rei estavam a porta do rei. O que significa estar a porta do rei? É estar no centro do poder daquele país. Eles se prostravam diante do mais importante príncipe deste rei, que era Hamã. Eles faziam isso por uma ordem real. Mas Mardoqueu não se inclinava. Mardoqueu era um judeu que foi exilado para aquele país. Ele era um estrangeiro e não um servo do rei. E na porta do palácio ele decidiu ser diferente. Os servos do rei perguntaram a Mardoqueu o porquê de ele transgredir as leis daquele país. E Mardoqueu não lhes dava ouvidos. Até que Hamã tomou conhecimento. Mardoqueu se declarou judeu para eles.

Mardoqueu diz que não se curvaria porque era judeu. O palácio não era território de Israel. Ele não estava numa sinagoga e nem na casa dele. No mínimo, ele tinha que ter um pouco de juízo. O que Jesus fez quando foi colocado numa situação como esta? Mateus 17.24-27 diz: “Tendo eles chegado a Cafarnaum, dirigiram-se a Pedro os que cobravam o imposto das duas dracmas e perguntaram: Não paga o vosso Mestre as duas dracmas? Sim, respondeu ele? Ao entrar Pedro em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Simão, que te parece? De quem cobram os reis da terra impostos ou tributo: dos seus filhos ou dos estranhos? Respondendo Pedro: dos estranhos. Jesus lhe disse: Logo, estão isentos os filhos. Mas, para que não escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, e o primeiro peixe que fisgar, tira-o; e, abrindo-lhe a boca, acharás um estáter. Toma-o e entrega-lhes por mim e por ti.”

Jesus poderia dizer que não pagaria nada, pois seu Reino não era da terra. No entanto, Ele mandou que pagasse, para que não houvesse escândalo.

Se nós estamos em um contexto que não é um contexto de salvos e lavados e remidos, precisamos respeitar o que está sendo determinado. No carnaval, dezenas de policiais e bombeiros precisam trabalhar no Sambódromo, e o militar crente vai ter que ir também. Imagine um médico crente que diz que não vai tratar do paciente que é espírita. Claro que está errado.

Mardoqueu estava num país que não era o dele, e decide ser diferente. Qual era a estrutura mental de Mardoqueu? Coisas que fazemos em cima de nossas verdades e convicções. O que ele estava fazendo ali era para a glória de Deus? “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10.31); “O prudente vê o mal e esconde-se; mas os simples passam adiante e sofrem a pena” (Provérbios 27.12).

Se eu estou neste contexto, e este tem uma ordem maior, o mínimo que eu tenho que fazer é me enquadrar nele. Ali o mau não era Hamã, mas era o princípio que Mardoqueu estava quebrando.

As leis do país estabelecem que para dirigir é necessário ser portador de carteira de habilitação. Mas tem gente que quer quebrar isto. Em Ester 4.1 diz: “Quando soube Mardoqueu tudo quando havia se passado, rasgou as vestes, e se cobriu de pano de saco e de cinza, e, saindo pela cidade, clamou com grande e amargo clamor”.

Mas, quem provocou aquele mau foi ele mesmo. Quantas vezes sou eu que não avalio minhas atitudes. Isso porque falsamente e ingenuamente alicerçamos os nossos atos em cima de nossas verdades. O problema de Mardoqueu era que ele devia se submeter. Se não quisesse se curvar, o que de fato era correto, que voltasse para Israel. Mardoqueu fora transportado de Jerusalém para aquele país.

Mardoqueu tinha ordenado que Ester não falasse a sua nacionalidade quando estivesse no palácio. E Mardoqueu tinha um crédito de sucesso, pois revelou uma trama da morte do rei em momentos anteriores. Podemos agir também assim depois de acumularmos uma história bonita de sucesso, começamos a pensar que estamos isentos de avaliar consequências.

Toda vez que não avaliamos as consequências, a história pode sair do controle. Davi não foi para a guerra e ficou em casa, e adulterou com Bete-Seba. Não avaliou as consequências.

Mardoqueu entrou em desespero depois, clamando porque havia uma sentença contra os judeus. E começou nele. Precisamos avaliar consequências. Em cima das nossas verdades, convicções e fé, tomamos decisões. Cada um de nós precisa avaliar as nossas consequências. Não corra acima da velocidade permitida. Não pague para ver. Temos uma tendência de não avaliarmos as consequências. Avaliemos.

Por, Jaime Soares.

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