Planejamento Familiar dentro da Ética Cristã

Planejamento Familiar dentro da Ética CristãSão várias as opiniões e orientações dos especialistas tanto do campo da saúde, como do campo social-religioso, no tocante os métodos oferecidos no planejamento familiar. Planejamento familiar entende-se como conjunto de ações que têm como finalidade contribuir para a saúde da mulher e da criança e que permitem às mulheres e aos homens escolher quando querem ter um filho, o número de filhos que querem ter e o espaçamento entre o nascimento dos filhos, o tipo de educação, conforto, qualidade de vida, condições sociais, culturais e seus níveis, conforme seus princípios de necessidade.

1. Família muito grande. O planejamento familiar torna-se muito importante para a família em si e a nação a que pertence. Uma família muito grande pode trazer problemas sérios. Eis alguns:

a) Com muitos filhos, é mais difícil alimentar, vestir e educar bem todas as crianças;

b) Com um filho atrás do outro, a mãe geralmente fica fraca. Isto não somente é comprovado pela ciência, mas também é confirmado pela própria Bíblia. “… A que tinha muitos filhos enfraqueceu” (1 Samuel 2.5b), e ainda, Jeremias 15.9 que diz: “A que dava à luz sete se enfraqueceu, expirou a sua alma; pôs-se o seu sol sendo ainda de dia; ela confundiu-se, e envergonhou-se…”. Para que o corpo da mulher possa se recuperar da gravidez, parto e amamentação, o espaço entre o fim de uma gravidez e o começo de outra deve ser, segundo os médicos no mínimo de dois anos;

c) Tendo um filho atrás do outro a mãe tem menos leite. As crianças que nascem por último muitas vezes são alimentadas com mamadeira;

d) A partir do 5º filho, os partos ficam cada vez mais perigosos;

e) O parto em mulher muito jovem ou de mais idade é mais perigoso para as mães e para os bebês.

2. O número de filhos. Quando o casal planeja o número de filhos que deseja e pode sustentar, a família leva uma vida mais feliz e saudável, por vários motivos:

a) A mãe está mais calma – seu corpo se recupera bem do esforço exigido pelas gestações e no cuidado com as crianças;

b) Os filhos estão mais sadios – eles são realmente amados e desejados;

c) O pai está mais tranquilo, sua mulher e seus filhos estão com saúde e ele consegue sustentá-los.

Com famílias mais felizes e saudáveis, toda a comunidade progride.

Existem métodos naturais para evitar que a mulher fique grávida, sem ser necessário que se cometam coisas abusivas. Estes métodos se chamam métodos de planejamento familiar. Há duas espécies de métodos para evitar a concepção: os métodos naturais e os métodos artificiais. Com efeito, porém, neste artigo iremos nos abordar os métodos naturais dentro da ética cristã, visto que, os métodos artificiais, em alguns casos, fogem por completo dos sentimentos cristãos e podem ferir a santidade divina. Também tem sido comprovado pela própria ciência médica que alguns destes métodos artificiais podem causar lesões irreversíveis na mulher. Os métodos naturais, geralmente, são métodos (quase que) aprovados por todos. Muitas mulheres que não querem ter filhos costumam fazer aborto. No Brasil o aborto provocado é ilegal. Sendo ilegal é feito escondido, sem higiene e por pessoas sem preparo. Tudo isso põe em grave perigo a saúde e a vida da mulher. Do ponto de vista divino de observação, o aborto provocado é condenado pela lei divina que disse: “Não matarás a ti mesmo ou a outrem” (Êxodo 20.13). Os grupos evangélicos em geral, não condenam os métodos naturais em relação ao planejamento familiar. A ordem de Deus para “Frutificai-vos e multiplicai-vos, e enchei a terra” não foi dada exclusivamente apenas ao primeiro casal. Ela tornou-se extensiva também às gerações seguintes. Muitos casais, baseados nesta ordem divina querem encher a terra sozinhos. Paulo disse que: “não são os filhos da carne que são os filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência” (Romanos 9.8b). Em outras palavras, existem “os filhos da carne e os filhos da carnalidade”.

3. Proteção familiar. Passaremos a analisar alguns pontos de vista relacionados com o cuidado dos pais, da sociedade e do Estado pelas crianças. Nossa Constituição Federal em seu artigo 227, diz que “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e a convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, descriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”. As Sagradas Escrituras e também algumas leis de alguns países  e normas tribais também tratam do mesmo assunto.

4. Família teocrática. A família em si deve ser uma bênção. Ela deve ser a minha e pode ser a sua, prezado leitor. Pois “o tempo e a sorte pertencem a todos” (Eclesiastes 9.11) e o objetivo primordial de Deus, é que através de Abrão e em Cristo sejam abençoadas todas as famílias da Terra. E assim, com esta confiança, pedimos a Deus que sua bênção seja abrangente em todas as áreas de nossas vidas (Gênesis 12.3; Efésios 1.3; 3 João v. 2). Nossos filhos são herança do Senhor e como herança devem ser uma bênção para nós. Em qualquer dimensão familiar ela aumenta tanto do ponto de vista humano como espiritual. No sentido humano-biológico, aumenta pelo processo da procriação. Isto acontece porque a vida está intimamente relacionada com Deus, que é o Deus da vida. Por isso: “…os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão” (Salmo 127.3). No campo espiritual, aumenta porque Jesus se torna parte da sua família e de todo aquele que crê em Seu nome (Mateus 12.46-50). Do lado social – as Escrituras nos ensinam que os nossos filhos são comparados “a flechas na mão do valente” (Salmo 127.4). O que torna um homem valente temível não é seu arco e nem suas flechas. Tais coisas fazem apenas parte do contexto de sua armadura. O que tornava um famoso guerreiro da antiguidade temível era sua boa pontaria. Flechas e arcos sem uma boa pontaria não metiam medo à ninguém, porque estas jamais sendo disparadas atingiam o alvo. O que está em jogo nesse Salmo são as “flechas” e o “alvo”. Com efeito, porém, tanto um como o outro, devem ser bem repartidos e seguir na direção correta até atingir o alvo desejado. Portanto, aqui o pai é considerado um “valente guerreiro” que usa sua boa pontaria (orientação) para conduzir seus filhos para o verdadeiro alvo: tanto na vida material como na espiritual. Espiritualmente falando – nosso alvo é Cristo! No campo material – nossos filhos devem ser também orientados de uma maneir5a correta e segura. Deus sempre nos dá a divina sabedoria e devemos dela usar também para este fim (cf. 2 Timóteo 2.7).

Por, Severino Pedro da Silva.

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