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Teologia “pentecostal reformada”?

Teologia “pentecostal reformada”Há uma declaração feita em vídeo pelo reverendo Hernandes Dias Lopes que tem provocado euforia entre os pentecostais e espanto nos reformados. Nesse vídeo, ele afirma que a “junção da teologia reformada com a unção, com o fervor pentecostal, é uma coisa fenomenal”.

Serial possível essa química? Para responder a essa pergunta, primeiramente é necessário dizer que a “unção” e o “fervor” pentecostal do qual fala Lopes só existem em razão de uma fundamentação teológica. Não creio que seria correto dizer que existe uma teologia reformada sem um certo grau de unção, da mesma forma não creio existir uma unção pentecostal sem um embasamento teológico. No caso da teologia pentecostal, a sua fundamentação teológica está fortemente enraizada na tradição protestante histórica como bem demonstrou Donald Dayton em sua obra Theological Roots of Pentecostalism (“Raízes Teológicas do Pentecostalismo”).

Em segundo lugar, a forma como essas duas tradições protestantes interpretam o livro de Atos dos Apóstolos é de fundamental importância para a possibilidade ou não dessa química. Como essas duas tradições teológicas interpretam essa Escritura canônica? Os pentecostais acreditam que as narrativas bíblicas têm valor tanto quanto têm as partes didáticas. Os pentecostais não estão sozinhos nesse entendimento. William W. Klein, Graig L Blomberg e Robert L. Hubbard, Jr, todos respeitados eruditos, também têm entendimento semelhante. Dessa forma, os pentecostais acreditam que o livro de Atos é normativo e que por isso o seu conteúdo serve de material didático para a vida da igreja. Em outras palavras, as narrativas bíblicas são permeadas de instrução, isto é, são fontes de ensino (didáticas) para a vida da igreja. Paulo, por exemplo, usou o livro de Gênesis, que claramente é de natureza narrativa, para instruir os cristãos primitivos.

Firmeza doutrinária e apologética contra as heresias dos tempos modernos

Firmeza doutrinária e apologética contra as heresias dos tempos modernosBoa parte da nossa geração, devido à influência midiática dos modismos, tem encontrado dificuldade para manter a firmeza doutrinária e apologética nos tempos modernos. Este é um dos pontos críticos da Igreja nos dias atuais. É preciso firmeza doutrinária.

A Doutrina é o conjunto de regras e costumes que identificam um povo, uma instituição ou uma crença. Se o obreiro não tiver conhecimento e firmeza na doutrina, será tentado a viver mudando de atitudes e induzirá o povo ao erro. É como um advogado sem conhecimento da Constituição e dos códigos de leis, ou um arquiteto ou engenheiro que não tenha conhecimento do Código de Obras da Cidade.

Quem não aprende não pode ensinar. A necessidade dos tempos modernos faz com que muitos obreiros sejam consagrados ainda neófitos, ou seja, sem conhecimento necessário para assumirem determinadas funções no Reino de Deus. Alguns, ao serem tentados, findam por cair em condenação do diabo. O apóstolo Paulo antevendo essa situação, deu conselhos explícitos a Timóteo acerca disso (1 Timóteo 2.1-6).

A Igreja Primitiva perseverava na doutrina (Atos 2.42). Paulo não se cansou de orientar o jovem obreiro Timóteo a também perseverar e ensinar a igreja na sã doutrina (1 Timóteo 4.6, 16). A linha ideológica de Paulo a respeito do assunto era a mesma com todos aqueles que discipulava, tanto que não foi diferente o ensino de Tito (Tito 2.1, 10).

O cristão e a “marca da promessa”

O cristão e a “marca da promessa”Deve estar ínsito em nossa mente que a teologia e a vida da igreja não se evidenciam apenas nos grandes tratados ou colóquios teológicos, antes as mais diversas formas literárias eram usadas pelos apologistas com o fim de transmitirem sua fé em Deus.

A Igreja Primitiva fez uso da arte para manifestar o seu crer no Deus verdadeiro. No quarto século, formas de poesias latinas passaram a ser usadas na proclamação do Evangelho de Jesus Cristo; um gênero que se destacou fortemente nesse período foi a biografia dos santos.

Podemos dizer que desde os tempos veterotestamentários o som foi usado como meio para se proclamar a grandeza e a fé dos santos em Deus. Segundo a história, a Igreja da Síria avulta-se pela composição de belos hinos feitos por Bardesana e Ephrem. Gregório de Nazianzo tornou-se bem conhecido por usar melodias comuns para composição de hinos.

Uma prova clara de que o hino faz teologia, é que no presente momento estamos lidando com algumas canções ábsonas, fora do real contexto bíblico e de sua interpretação, o que tem gerado confusão em muitas igrejas, produzindo teologias estrábicas, daí a necessidade dos compositores atentarem bem para o texto bíblico, e julgarem suas letras relacionadas com a exegese e a hermenêutica, mas não podemos abjurar que existem composições que de fato exaltam o nome de Jesus, e que expressam fé no seu sacrifício, produzindo gozo no nosso coração. O uso da expressão a marca da promessa, tratado aqui, tem sido comum em muitas canções do meio evangélico atualmente.

O que existe por trás das leis que querem destruir a família e amordaçar as igrejas

O que existe por trás das leis que querem destruir a família e amordaçar as igrejasA população brasileira cresce pouco mais de 2% ao ano. O crescimento evangélico ultrapassa os 6% ao ano. Pesquisas indicam que em 2010 e 2015 os evangélicos ultrapassarão os 50% da população. Seremos maioria absoluta no país. Elegeremos parte dos deputados estaduais em todos os Estados e os federais também. Teremos a maioria no Congresso Nacional e poderemos administrar esta nação.

Logo, o medo se apodera de muitos setores por causa dos evangélicos. Nosso crescimento assusta. Então, nos perseguem com leis. Se não tivéssemos elegido uma bancada forte de deputados estaduais e federais na legislatura retrasada, hoje seríamos associação, como determinava inicialmente o novo Código Civil. Graças à atuação dos nossos parlamenteares é que conseguimos reverter o que eles haviam feito no Código Civil, enquadrando a igreja na categoria de associação. Aí teríamos que receber todo tipo de gente como membros de nossas igrejas. Se o pecado entrar na igreja, este será o seu fim. O que eles queriam, por força de lei, era mudar a igreja, empurrando o pecado para dentro dela. Nosso empenho e luta foram coroados de sucesso porque conseguimos mudar o Código Civil no que tange à igreja. Não satisfeitos, inclinaram-se para uma lei do meio ambiente, proibindo que usemos o som acima de 55 decibéis. Isso representa o som dentro de uma sala apenas. Querem que todos os templos religiosos usem 55 decibéis e, por isso, as igrejas estão sendo multadas e têm o som lacrado pelo Ministério Público em todo território nacional.

O batismo no Espírito Santo e o batismo pelo Espírito Santo

O batismo no Espírito Santo e o batismo pelo Espírito SantoA doutrina do batismo com o (ou no) Espírito Santo é uma doutrina tão atual quanto são as demais doutrinas cardeais da Bíblia. Porém, essa experiência, mais do que uma teoria doutrinária, ou uma doutrina retida no tempo, tem sido alvo de desconexas e insustentáveis polêmicas. Não só da parte dos evangélicos tradicionais, mas até mesmo entre os pentecostais, que questionam, acima de tudo, a glossolalia, que é a evidência primária e física do batismo no Espírito Santo.

Naturalmente, os que negam a atualidade da experiência do Pentecoste com a evidência do “falar em línguas” não negam o fato bíblico, mas negam a sua evidência atual. Há os que até ensinam a necessidade do Batismo no Espírito Santo sem precisar da experiência glossolálica. Outros, mais radicais, entendem que a experiência das línguas foi ontológica, isto é, aconteceu apenas nos primórdios da Igreja depois do Pentecostes.

A primeira lição que aprendemos acerca desse assunto é que o Batismo no Espírito Santo é uma experiência para os que já foram regenerados pelo Espírito Santo. Por isso, no ato da conversão, o Espírito Santo conduz o pecador arrependido à submissão ao senhorio de Jesus Cristo e entra na sua vida.

Há uma relação vital da atuação do Espírito Santo na vida do pecador arrependido. São três esferas de atuação no campo da convicção: na esfera da mente (Neemias 9.20; Romanos 8.27; 1 Coríntios 2.10, 11), o Espírito Santo convence intelectualmente o pecador pela Palavra de Deus; na esfera do sentimento, Ele desperta o interesse (Efésios 4.30; Romanos 15.30; Apocalipse 22.17); e na esfera da vontade, o Espírito espera com o objetivo de promover uma decisão pela salvação (1 Coríntios 12.3, 11). Jesus ensinou sobre o papel do Espírito  na área da convicção conforme lemos em João 16.8-10. Nesse texto, o Espírito Santo tem ação tríplice, porque ele convence do pecado; convence da justiça, em relação ao presente, mostrando que Cristo cumpriu a justiça da lei na sua morte no Calvário; e convence do juízo, mostrando o juízo efetuado no Calvário e apontando para o futuro, para absolvição do Juízo Final.

Theta Healinge sua falsa “cura interior”

Theta Healinge sua falsa “cura interior”Na década de 1990, a seita Cientologia ficou famosa ao ser acusada pelo chanceler alemão Helmut Kohl de ter intenções expansionistas e por conquistar célebres atores, como Dustin Hoffman, John Travolta, Tom Cruise, Nicole Kidman, Juliette Lewis etc. Criada em 1954 pelo norte-americano L. Ronald Hubbard (1911-1986), ela mescla elementos psicoterapêuticos com aspetos de diversas religiões. Conhecedor das filosofias budista e hindu, ele criou a Dianética, um método de tratamento da alma que visa a libertar pessoas das psicoses, levando-as a enfrentar incidentes traumáticos que criam marcas na mente. Para os famosos adeptos dessa seita, ela é “o conhecimento do conhecimento”, e suas raízes se encontram nas ciências e aspirações mais profundas das grandes civilizações, abrangendo princípios de todas as religiões.

A Cientologia ficou restrita a alguns ricos e famosos, e só se ouve falar dela quando alguma celebridade — especialmente John Travolta e Tom Cruise — faz alguma “loucura cientológica”. Mas, em 1995, a Dianética foi “reinventada” pela “neuropata”, terapeuta de massagem e “leitora intuitiva” Vianna Stibal, também estadunidense, a qual tornou mais popular esse novo-velho método de “cura interior” que visa a transformar as saúdes física, emocional, financeira e espiritual das pessoas. Como sua aplicação se dá por meio da mudança do ciclo das ondas do cérebro, até chegar ao estado Theta (a qual alude à onda cuja origem remonta à letra grega theta, que pode significar “alma”), ela o chamou de ThetaHealing.

O que a Bíblia diz sobre a parte do ser humano na Salvação

O que a Bíblia diz sobre a parte do ser humano na SalvaçãoInúmeras passagens enfatizam a necessidade de o ser humano fazer a sua parte para alcançar as bênçãos do Senhor (Tiago 4.8; Provérbios 16.1; 2 Crônicas 7.14; Isaías 1.19 etc.). Nesse caso, se Deus fizer a parte que lhe cabe, e o homem não, este não poderá ser abençoado pelo Senhor (Ezequiel 24.13 e Lucas 13.34).

No que se refere à salvação, não é diferente. Deus-Pai providenciou o plano salvífico e deu o necessário para a sua realização (Gênesis 3.15 e Gálatas 4.4), o Filho consumou a obra que lhe foi dada pelo Pai (João 17.4-5 e 19.30), e o Espírito Santo convence o pecador do pecado, da justiça e do juízo (João 16.8-11). Entretanto, se o homem não fizer a sua parte, morrerá sem receber a Salvação (João 3.16-18, 36 e 1 João 5.12).

A ênfase recaiu no amor de Deus, expresso na manifestação de Sua graça e de Sua misericórdia, pelas quais Jesus ofereceu-se a si mesmo como preço de resgate para nos salvar (Romanos 5.8; 1 Pedro 1.18-19).

Há somente uma resposta apropriada para o amor de Deus: arrependimento e fé (Marcos 1.15; Atos 3.19 e João 3.16). É claro que não podemos produzir tais ações sem a capacitação divina (Atos 11.18; Efésios 2.8-9). Entretanto, estas não são produzidas em nós sem o nosso consentimento. Deus fez a parte dEle, e o homem precisa agir de forma a aceitar a obra salvífica. Essa aceitação, mediante ações bem definidas, forma parte do estudo da Soteriologia Subjetiva.

Movimento cultural do evangelho gospel

Movimento cultural do evangelho gospelA cultura gospel, e em especial a música gospel, tem tido reconhecimento no Brasil. Por exemplo, a partir da aprovação da Lei 12.590/2012, que altera a Lei 8.313, de 23 de dezembro de 1991 (Lei Rouanet), foi reconhecida a música gospel e os eventos a ela relacionados como manifestação cultural brasileira.

A cultura gospel é uma filosofia de vida baseada em princípios voláteis e mutáveis fundamentada no relativismo. Na cultura gospel, muitos se declaram cristãos, mas não são de Cristo (Mateus 7.21-23; Filipenses 3.18-19). É uma cultura “nova” e diferente dos cristãos primitivos, se considerarmos os preceitos bíblicos inseridos em Atos dos Apóstolos, principalmente nos primeiros capítulos. É um movimento musical, com músicas que falam de Deus, porém Deus está muito longe dessas músicas e canções (cf. Amós 5.23).

O movimento gospel é uma nova cultura, um novo modo de ser “evangélico”. Esse movimento privilegia a música, o mercado, o lazer e o entretenimento. Essa cultura surgiu a partir dos anos 90 com um movimento musical que detonou e configurou algo muito maior e de visão financeiramente capitalista. É um modo e um estilo de vida diferentes, e uma nova cultura. A cultura gospel é bem diferente das igrejas tradicionais pentecostais no Brasil, principalmente do pentecostalismo clássico. Na cultura gospel, a música tem um lugar especial e de destaque e é considerada a parte mais importante do culto; aliás, do show. O culto é um espetáculo; as prédicas são chamamento à autoajuda, autoestima, motivação e vitória financeira; apelos ao carro novo, a mais posição de poder, à exposição e à venda de objetos gospel etc. A doutrina da salvação é ignorada.

O dilúvio e o épico de Gilgamesh

O dilúvio e o épico de GilgameshA Mesopotâmia, que é a combinação das tradições suméria e acádia, nos legou três importantes relatos do Dilúvio (Gênesis Eridu, Gilgamesh e Atrahasis). Em outras palavras, o Dilúvio foi uma tradição bem atestada na Mesopotâmia antiga. Apesar do fato de que o herói do Dilúvio (equivalente a Noé no texto bíblico), tinha um nome diferente nessa composições (Ziusudra Umapishtim e Atrahasis), a história basicamente continua a mesma, ainda que o relato mais completo esteja no épico de Gilgamesh.

O Diabo não tem legalidade para nada

O Diabo não tem legalidade para nadaPor influência do neopentecostalismo, já se tornou bastante popular no meio evangélico a ideia de que quando o Diabo age na vida de alguém, é porque essa pessoa “deu legalidade” a ele para agir. Entretanto, tal afirmação não encontra apoio algum na Bíblia. Sobre essa questão, fortalece-nos lembrar pelo menos 11 verdades que encontramos nas Sagradas Escrituras:

1) Deus é sempre justo e soberano. Todos estão debaixo de Seu comando, inclusive os seres malignos. Mesmo os demônios somente agem segundo Sua permissão. Assim, não havia brecha espiritual na vida de Jó, mas o Senhor permitiu que Seu servo fosse provado.

2) Satanás é injusto – sempre. Em 2 Tessalonicenses 2.8, seu maior representante, o Anticristo, é chamado de “o injusto” – em grego, “anomos”, que é o tremo correspondente ao hebraico “resa”, de Isaías 11.4, que quer dizer: “iníquo”, “ímpio”, “perverso”, “mau”, “ilegal”, em oposição ao termo “tsadik” – “justo” –, que é a revelação do caráter de Deus.