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Teologia: para que mesmo?

Teologia - para que mesmoLembremo-nos da simples definição do termo Teologia: Theos = Deus, e Logia = Estudo; portanto, estudo acerca das coisas referentes a Deus. Vejamos agora os conceitos de educação e ensino: “Os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais” (Parâmetros Curriculares Nacionais); “Do latim ‘ducere’, educação aponta para o ato de conduzir para fora, assim, educar implica habilitar o indivíduo para avançar em um processo de mudanças permanente” (Ismael dos Santos). E “no sentido bíblico, o processo da educação combina-se com os princípios espirituais que, segundo se espera, emprestam poder e significado aos ensinos que transcendem os meios intelectuais normais e os meios humanos práticos” (Russel Normal Champlin).

Os que têm compreendido ou empreenderam estudar Teologia provavelmente já devem ter ouvido expressões do tipo: “Se você fizer Teologia, vai se tornar um crítico!”; “Se você fizer Teologia, vai apagar o fogo do Espírito Santo em sua vida!’; “Quem faz Teologia esfria!”. Pensando sobre isso, pergunto: como pode o estudo acerca das coisas referentes a Deus afastar-me de Deus? Como pode o contato com a Bíblia, Palavra de Deus, me distanciar dEle? Como pode a busca da compreensão da vontade de Deus me por no caminho oposto ao Seu propósito? Em cada uma dessas indagações, há uma ação repelente. Ou seja, a proposta é uma e o efeito produzido lhe é oposto. Disso, deduzo que o problema não está no estudo teológico, mas, sim, na disposição do coração do estudante. Então, vemos que o estudante de Teologia precisa, muito antes, ser um crente em Deus e em Sua Palavra e, assim, nenhum aprofundamento teológico o distanciará do propósito de Deus para a sua vida.

A essência e o propósito das línguas

A essência e o propósito das línguasO principal tratamento de Paulo sobre o falar em línguas está em 1 Coríntios 12-14. Isso inclui 12.10, 28, 30; 13.1, 8 e muitas referências em 14.1-40. Várias passagens relacionadas podem referir-se a falar ou cantar em línguas, embora o termo não é sempre usado. Essas passagens incluem Romanos 8.26, 27; Colossenses 3.16 e Efésios 5.19 e 6.18. Quando Paulo escreve, ele considera tanto os usos particulares e públicos do dom de línguas.

Aparentemente, a assembleia local estava usando o dom de línguas de forma inadequada, por isso Paulo escreve 1 Coríntios 12-14 como um corretivo. No processo, ele vai muito além da correção e diz muita coisa boa sobre as línguas, bem como sobre a interpretação de línguas e a profecia. Ele dá um alto valor as línguas, mas ele também dá orientações sobre a forma de exercer o dom.

Ao estudarmos esses textos, vamos ter em mente a essência, os propósitos e os usos do falar em línguas. A essência das línguas em 1 Coríntios não é diferente do que vemos em Atos. Só que, no que diz respeito aos propósitos e usos, a ênfase de Paulo é na edificação do corpo da igreja local.

Para o corpo da igreja receber edificação, as comunicações devem ser inteligíveis. Por isso, em sua instrução sobre o uso das línguas em reuniões públicas, Paulo enfatiza o discurso inteligível como aquele que edifica a todos. Paulo ensina que o falar em línguas só pode edificar quem fala, enquanto interpretação de línguas edifica todo o corpo de Cristo.

Muitos estudiosos afirmam que o falar em línguas em Corinto era uma experiência extática. É que alguns advertem contra a perda de controle ao falar em línguas a partir desse texto, apesar de 1 Coríntios 12.1-3 não mencionar nenhuma êxtase no falar em línguas.

O martírio dos sacerdotes de Nobe

O martírio dos sacerdotes de NobeAs atrocidades cometidas contra os sacerdotes de Nobe é um claro exemplo no Antigo Testamento de pessoas martirizadas por se manterem fiéis aos princípios de sua fé no Deus criador de todas as coisas.

Nobe era uma cidade sacerdotal nas terras de Benjamin, localizada numa colina próxima de Jerusalém. Situava-se à a margem de uma estrada que chegava até Jerusalém, vinda do norte, e que passava bastante perto de Nobe, de uma forma que podia ser vista (Isaías 10.28-32). Em Nobe, o sacerdote Aimeleque, no tabernáculo, supriu as necessidades de Davi quando este fugia de Saul, oferecendo ao fugitivo o pão sagrado e a espada de Golias (1 Samuel 21.1-9), ato este considerado por Saul como um gesto de traição e rebelião, que deveria ser punido com a morte de Aimeleque e de toda a sua casa (1 Samuel 22.16).

Observaremos algumas questões relacionadas ao evento aqui exposto. Em primeiro lugar, entendo como importante fazer uma breve análise da condição de Saul, mandante da execução de Aimeleque de mais de 84 sacerdotes e dos habitantes de Nobe (1 Samuel 22.18-19). Obstinado pelo desejo de matar Davi, tido como um conspirador e traidor (1 Samuel 18.6-9), Saul empreendeu uma implacável caçada ao jovem ungido por Deus para ser o próximo rei de Israel (1 Samuel 16.1-13).

Evidências do Criador na obra criada

Evidências do Criador na obra criadaEscrever e falar a respeito de Deus é algo muito interessante, pois não O vemos, todavia, quando olhamos para tudo que está ao nosso redor, sabemos que há um ser muito poderoso que é o responsável pela existência de tudo que existe, Deus (Romanos 1.19, 20). Não podemos vê-Lo fisicamente, porém Ele deixou evidências fortíssimas de Sua existência, pois estas evidências são tão claras e patentes que não se pode negar Sua maravilhosa existência.

Existem no universo várias evidências que mostram que existe um Criador de todas as coisas tanto visíveis quanto invisíveis (Colossenses 1.16, 17). Portanto, o universo não veio a existência de modo irresponsável, como acreditam muitos. Ele foi programado por ser de uma inteligência rara. A própria complexidade da vida e a criação do universo indicam isso. Matéria e energia que são inanimados não poderiam produzir a vida e um mundo tão perfeito. A Bíblia não se preocupa em dar provas da existência de Deus, porém ao longo de suas páginas, ela nos leva a crer nEle somente por meio da fé (Hebreus 11.6).

Deus deixou uma série de evidências que sugerem que somente um ser de uma inteligência altamente superior, criou tudo a nossa volta. Para entendermos as provas da existência de Deus precisamos primeiro saber o que os seres humanos dizem como a vida e o universo vieram à existência?

Nos livros de ciências é ensinado no meio escolar que a teoria da evolução é o conceito mais digno de confiança sobre a origem do universo e da vida.

Um pensar teológico sobre a corrupção do pecado

Um pensar teológico sobre a corrupção do pecadoPara se pensar no pecado é preciso aceitar que o pecado é existencial e revelado nas Escrituras. Para isso, a Bíblia tem que ser a nossa maior fonte, bem como, a única e infalível regra de fé. Não basta apenas uma visão religiosa das Escrituras, mas uma visão teológica, exegética e bíblica. Dentro de tantas visões irônicas sobre o pecado, seja aceitando parcialmente, ou negando absolutamente a existência deste, seja do aspecto religioso, como muitas religiões pagãs, que nos rituais praticam atos pecaminosos condenáveis pelas Escrituras, seja no aspecto teológico, onde pós-modernistas têm negado os primeiros capítulos de Gênesis como literais, negam assim, o pecado original, a corrupção e a culpa do pecado.

O significado bíblico-teológico do coração nas Escrituras

O significado bíblico-teológico do coração nas EscriturasOuço com frequência, de várias pessoas, que Deus só quer o coração do ser humano. Há os que acreditam e declaram que basta ter fé em Deus e Jesus no coração, e pronto, não precisam de mais nada, estão agradando a Deus e serão salvas. Há um pouco de verdade nisso, no entanto, o discurso não para por ai, tais pessoas também acreditam que não precisam observar nenhum código moral, não precisam viver uma vida de santidade e renúncia, enfim, creem que podem viver de qualquer maneira.

Por outro lado, existem aquelas pessoas que acreditam de uma forma diferente e declaram que só a fé em Deus e Jesus no coração não é suficiente para sermos salvos. Aí apresentam uma extensa lista de outras coisas que julgam necessárias observarmos para sermos salvos.

Aqueles que levantam a bandeira de que “Deus só quer o coração”, podem construir suas fundamentações a partir de passagens como João 3.18a, onde está escrito: “Quem crê nele [Jesus] não é condenado”. Ou ainda Mateus 10.32; Romanos 10.9-11; Efésios 2.8, 9; dentre outras.

Já os que se opõem a essa máxima de que “Deus só quer o coração” podem construir suas argumentações à luz de passagens como Efésios 2.10: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos  nelas”. Ou ainda Hebreus 12.14; Tiago 2.10, 18, 19.

Como vimos de ambos os lados há argumentos, todavia, quando os opostos se encontram, os que se opõem ao lema “Deus só quer o coração”, vão logo ao extremo e afirmam que Deus não é açougueiro para querer só o coração. Ele quer o corpo todo e não apenas o coração, pois na Bíblia está escrito que o nosso corpo é templo e morada do Espírito Santo (1 Coríntios 6.19).

Refletindo a formação teológica

Refletindo a formação teológicaHá um apelo para a renovação da educação teológica, um vocativo que trata dos objetivos, dos propósitos deste patrimônio cristão. Para alguns, o seu atual padrão é falho. No entanto, bem poucos cristãos querem modificar essa herança. Quem está certo: alguns acadêmicos ou muitos crentes? Se entendermos o propósito de ser da formação teológica, compreenderemos porque ela é um tesouro cristão, e para permanecer assim, deve manter-se como é.

O essencial para a educação teológica não é mudar, mas, sim, recuperar e manter sua singularidade e distinção. Do ponto de vista bíblico, portanto, ela consiste na formação do povo de Deus na verdade de Deus, com a finalidade de pessoal renovação e participação no cumprimento da missão da Igreja. Logo, a educação teológica é a formação que gera transformação por meio do povo de Deus. Se esse é o certo, e é, ao invés de apostarmos em uma renovação, deveríamos acreditar no poder de um avivamento educacional pela Palavra. Essa deve ser a nossa meta!

Mas quais seriam as mudanças mencionadas no primeiro parágrafo? São, na verdade, duas: uma conjuntural, a outra conteudista.

Conjunturalmente, deseja-se fazer da formação teológica não algo formal, mas estatal. Aos olhos de alguns, esta pode ser uma argumentação exagerada, mas não levará tempo até que alguém sugira uma reserva de mercado para a atividade teológica. Ora, não é o que pretendem os conselhos e confederações de teólogos que estão em toda parte? Esquecem-se o que isso propõem que Teólogo não é profissão, é função, e como tal não é regulada porque é fruto da consciência espiritual, e não da chancela do estado.

A necessidade de um genuíno avivamento na Igreja hodierna

A necessidade de um genuíno avivamento na Igreja hodiernaNos primórdios da Assembleia de Deus no Brasil, por várias vezes, o Espírito Santo ratificou as promessas divinas aos pioneiros reiterando que esse mover do Espírito em pátria brasileira seria próspero, triunfante e glorioso. No limiar de um período transicional, referindo-se a centenária Assembleia de Deus no Brasil [hoje com 203 anos de existência], em um notório momento de avaliações feitas por gestões “atualizadas”, ao entendimento de alguns, simultaneamente assistimos três fatos pertinentes a tudo isto:

1. A forte pressão das igrejas neo-pentecostais, através de seu modelo doutrinário-litúrgico mais flexível, que tenta seduzir raciocínios e subverter conceitos históricos. Fica a ideia: “Deu certo lá. Vai dar certo aqui”. E a preocupação pastoral fica sendo encher templos, em detrimento da busca do pastoreio bíblico que visa a edificação  espiritual dos crentes através do ensino da Palavra de Deus, “querendo o aperfeiçoamento dos santos” (Efésios 4).

2. O comodismo de uma liderança espiritual à semelhança do sacerdote Eli: sem visão; obesa (“inchada”, presunçosa, orgulhosa); sentada nas cadeiras da inatividade, da falta de dinamismo, de energia, de projetos espirituais – uma geração que não tem mais intimidade com o altar, com o fogo, e com o sacrifício! Isso gera uma situação dramática: Deus busca um menino dentro de um quarto para se revelar, pois não havia mais homens que buscassem o Céu, na classe sacerdotal vigente!

O que resta do protestantismo conduzido pelos reformadores

A manutenção e o distanciamento das marcas distintivas da Reforma Protestante: Sola Scriptura, Solo Christus, Sola Gracia e Sola Fides

O que resta do protestantismo conduzido pelos reformadoresA Reforma Protestante, assim como os demais eventos históricos, passou por um processo de evolução com desdobramentos e transformações ao longo de quase cinco séculos.  Cabe aqui olharmos para o atual estado do universo protestante, que representa mais de 800 milhões de pessoas em todo o mundo e em especial ao universo religioso brasileiro, onde os protestantes são mais de 42 milhões, para avaliarmos o que permanece do ideal defendido pelos reformadores.

Ressalta-se, aqui, que infelizmente o desconhecimento desse grande legado teológico deixado por homens como Lutero, Zwinglio, Calvino e Meno Simon (representando os anabatistas moderados), tem feito muita falta, como bem expressa Timothy George em seu livro Teologia dos Reformadores: “Jerônimo disse certa vez que, quando lia as cartas do apóstolo Paulo, podia ouvir trovões. Os mesmos trovões também ecoam mediante os escritos dos reformadores. Os teólogos contemporâneos fariam bem em ouvir novamente a mensagem desses cristãos corajosos que desafiaram imperadores e papas, reis e câmaras municipais, porque suas consciências estavam cativas à Palavra de Deus”. Os fatos falam por si mesmo sobre o que resta desse movimento que mudou não apenas a face da Europa do século XVI, mas do mundo como um todo. A marca distintiva da Reforma Protestante Sola Scriptura, Solo Christus, Sola Gracia, e Sola Fides sintetizam a teologia do movimento. Vejamos essas marcas hoje.

Sola Scriptura, “somente a Bíblia”. Numa época onde os dogmas e tradições tomaram o lugar das Escrituras Sagradas como guia dos fiéis, os reformadores clamaram por um retorno à Bíblia. Lutero ao ser instado a retratar-se disse: “A menos que eu seja convencido do erro pelo testemunho da Escritura ou – visto que não dou valor à autoridade não provada do papa e dos concílios, por ser claro que eles muitas vezes erraram e frequentemente se contradisseram – por um raciocínio evidente, continuo convencido pelas Escrituras, às quais apelei e minha consciência foi feita cativa pela palavra de Deus, não posso e não quero retratar-me de qualquer coisa, pois agir contra nossa consciência não é coisa segura nem permitida a nós. É esta a minha posição. Não posso agir diversamente. Deus me ajude. Amém”. Para o cristão não há outra bússola, não há outra fonte de luz para os seus caminhos que a Palavra de Deus (Salmos 119.105).

Esmirna: fé em meio à perseguição

Esmirna - fé em meio à perseguiçãoLocalizada ao norte de Éfeso, e com uma população de cerca de 250 mil habitantes, a cidade de Esmirna era considerada a mais bela da Ásia Menor. Sua beleza natural era fascinante. Seu esplendor habitava entre o mar e as montanhas. Sua estrutura urbana era modelo para as demais cidades de sua época. O comércio internacional favorecia economicamente a cidade, que era grande exportadora de mirra.

Na condição de centro religioso, em Esmirna eram adorados os deuses Cibele, Apolo, Asclépio, Afrodite e Zeus. O culto ao imperador, que incluía a queima de incenso a imagem de César, foi lá bastante difundido e praticado 1. Conforme Kistemaker: “Em 26 d.C., ela dedicou um templo ao imperador Tibério e se gabava de ser a principal no culto ao imperador. Essa jactância agradou aos administradores romanos, os quais fomentavam a paz e a unidade que caracterizavam o espírito de Roma por todo o império. William Barclay escreve que, para tornar o espírito de Roma tangível, os romanos apresentaram o imperador como sendo sua incorporação, e assim surgiu o culto ao imperador. Ainda que alguns dos primeiros imperadores discordassem de tal culto, a população o ativou ao ponto de tornar os imperadores divinos” 2.

Não há registros específicos da chegada do Evangelho e da fundação da igreja em Esmirna, mas podemos sem problema algum enquadrar tais fatos no contexto de Atos 19.10.

Como na grande maioria dos casos, na medida em que foi estabelecida pela pregação do Evangelho, a igreja em Esmirna começou a provocar e a vivenciar algumas tensões, inquietações e desconfortos, que aos poucos se transformou numa violenta e cruel perseguição.